Duas plataformas digitais com origem em Borba foram criadas para divulgar o trabalho de artistas ligados ao Alentejo e reunir histórias, fotografias, tradições e memórias da região. A ESTEVA Cultural e o Territórios Vivos partem de um propósito comum, mas assumem funções distintas.
A divulgação dos projetos começa em Borba, seguindo-se Vila Viçosa, embora as duas iniciativas tenham sido concebidas com um âmbito regional.
Manuel Castanho, que apresentou os projetos ao ODigital.pt, relaciona a criação das plataformas com as suas raízes familiares no Alentejo. Apesar de ter nascido fora da região, foi criado pelos avós, naturais do território, e escolheu posteriormente viver na terra onde nasceram.
ESTEVA Cultural abre espaço a artistas ligados ao Alentejo
A ESTEVA Cultural apresenta-se como uma plataforma independente dedicada a artistas, autores e outros criadores que vivem e desenvolvem o seu trabalho no Alentejo, independentemente do local onde nasceram.
Pintura, escrita, fotografia, escultura, artesanato, música e teatro encontram-se entre as áreas abrangidas. A plataforma procura incluir também pessoas que criam fora dos circuitos profissionais e que nem sempre dispõem de espaços para apresentar os seus trabalhos.
“Não procuramos nomes conhecidos”, refere Manuel Castanho, acrescentando que o objetivo passa por encontrar quem mantém uma expressão artística ligada ao território, mesmo que desenvolva essa atividade por interesse pessoal.
Os criadores podem apresentar o respetivo percurso através de um formulário disponível na plataforma. As candidaturas são analisadas antes de qualquer publicação e não originam automaticamente a criação de um perfil.
A ESTEVA Cultural já reúne perfis de artistas, obras plásticas, livros e informação sobre exposições. Entre os primeiros criadores apresentados encontram-se o artista plástico e escritor Jorge Barroso, ligado a Rio de Moinhos, no concelho de Borba, e Manuel Castanho.
A agenda inclui também a exposição Preto no Branco, de Jorge Barroso, patente no Cineteatro Florbela Espanca, em Vila Viçosa, entre 8 e 27 de setembro. A inauguração está marcada para as 18h00 do dia 8.
Territórios Vivos recolhe histórias, fotografias e tradições
O Territórios Vivos pretende funcionar como um arquivo comunitário dedicado à memória dos lugares e das populações.
A plataforma prevê reunir fotografias antigas, histórias transmitidas entre gerações, testemunhos sobre pessoas que marcaram as comunidades, ofícios em desaparecimento, festas, receitas, lendas, associações, património e expressões locais.
Além da vertente de arquivo, o projeto apresenta-se como uma plataforma de turismo cultural, com áreas destinadas a mapas, percursos, pontos de interesse, saberes da terra e glossário de expressões relacionadas com o território.
O projeto começa em Borba e encontra-se direcionado, numa primeira fase, para o Alentejo Central. O mapa digital está ainda em construção e deverá receber conteúdos de forma gradual.
Os cidadãos, escolas, associações e responsáveis por empresas ou outros projetos locais podem enviar informações e imagens. Segundo a plataforma, os contributos passam por revisão editorial antes de serem publicados.
No caso das fotografias, os participantes devem declarar que possuem autorização para fornecer e permitir a utilização das imagens. Os contactos enviados destinam-se à validação da informação e não são publicados.
Projetos pretendem crescer a partir da participação das comunidades
A expansão das duas plataformas dependerá da adesão de artistas, residentes, escolas, associações e entidades locais.
Na ESTEVA Cultural, a participação deverá permitir aumentar o número de criadores e obras disponíveis. No Territórios Vivos, o contributo das populações será utilizado para construir um acervo sobre a identidade e a memória de cada lugar.
Na origem das duas iniciativas está a ideia de que “ninguém protege aquilo que não conhece”, segundo Manuel Castanho, que apela à recuperação de fotografias, histórias familiares e testemunhos que ainda não foram registados.
















