O relatório “O impacto económico dos pequenos frutos e da agricultura no Perímetro de Rega do Mira (PRM)”, elaborado pela EY-Parthenon para a Lusomorango – Organização de Produtores, evidencia a relevância do PRM como motor de desenvolvimento económico, social e ambiental nas regiões de Odemira e Aljezur.
Entre os principais resultados, destaca-se o impacto de 502 milhões de euros em Valor Acrescentado Bruto (VAB) em 2023, acompanhado de mais de 130 milhões de euros em receitas fiscais.
Nos cinco anos analisados (2019-2023), o PRM gerou um impacto médio anual de 422 milhões de euros em VAB, dos quais mais de 50% foram registados em Odemira. Este desempenho reflete a centralidade do PRM para a economia local, apesar das limitações impostas pela escassez de água. Em 2023, a área regada correspondeu, em média, a 71% da área total inscrita, evidenciando o esforço dos produtores agrícolas em adotar soluções tecnológicas que aumentaram a eficiência no uso dos recursos hídricos.
Caso os constrangimentos no abastecimento de água fossem superados, estima-se que o PRM poderia ter alcançado, no mesmo ano, 742 milhões de euros em VAB, 190 milhões de euros em receitas fiscais e viabilizado 24.400 postos de trabalho, demonstrando o seu potencial inexplorado.
O PRM desempenha um papel essencial na criação de emprego e fixação de populações. Em 2023, a atividade agrícola viabilizou 16.513 postos de trabalho, sendo 75% localizados em Odemira, correspondendo a 55% do total de empregos no concelho. Entre 2019 e 2023, o impacto médio anual foi de 15.228 empregos, refletindo a importância do setor para o rejuvenescimento e dinamização da região.
Os pequenos frutos, como framboesas, amoras e mirtilos, consolidaram-se como as culturas mais produtivas do PRM, tanto por hectare como por metro cúbico de água utilizada. Em 2023, Portugal destacou-se no panorama internacional, representando 10,5% das exportações mundiais de framboesas e amoras. A Lusomorango, principal organização de produtores da região, foi responsável por cerca de 19% da produção nacional de pequenos frutos durante o período analisado, exportando quase 100% da sua produção.
Durante o período analisado, a atividade no PRM gerou uma média anual de 116 milhões de euros em receitas fiscais, com ênfase nas contribuições via Taxa Social Única e impostos sobre o rendimento. Em 2023, o valor atingiu os 134 milhões de euros, sublinhando o impacto positivo nas finanças públicas.
Para desbloquear o potencial máximo do PRM, o relatório recomenda investimentos em infraestruturas de rega e na exploração de novas fontes de água. Entre as propostas, destaca-se a interligação entre Alqueva, Santa Clara e Odelouca, iniciativa defendida pelo movimento “Água ao Serviço do Futuro”, que visa reforçar o abastecimento hídrico do sudoeste alentejano e Algarve.



















