PCP acusa Governo de deixar Évora a “ver passar comboios” na linha para Espanha

O PCP acusou esta semana o Governo de deixar o distrito de Évora a “ver passar os comboios”, por considerar que “nada diz” sobre o “pleno aproveitamento” para mercadorias e passageiros da futura linha ferroviária Sines-Caia.

Em comunicado, a Direção da Organização Regional de Évora (DOREV) do PCP considerou que as declarações do primeiro-ministro na visita que fez esta semana a um dos troços em construção “deixam sérias preocupações” sobre o “pleno aproveitamento” da ferrovia.

“António Costa nada diz sobre as soluções técnicas de transporte de mercadorias e de passageiros em Vendas Novas, Évora e na zona dos mármores e as potencialidades que elas asseguram para o desenvolvimento do distrito e da região”, sublinhou o partido.

O chefe do Governo visitou, na quarta-feira, as obras de construção do troço Freixo-Alandroal do futuro Corredor Internacional Sul, que vai ligar o litoral à fronteira com Espanha, por Elvas (Portalegre).

No final da cerimónia, Costa foi questionado pelos jornalistas sobre a utilização desta infraestrutura ferroviária para o transporte de passageiros, ao que o chefe do Governo respondeu que “a linha serve para todos os comboios”.

“A ligação [para o transporte] de passageiros é sempre possível fazer de uma forma mais fácil e estamos a trabalhar para encontrar a melhor forma de poder assegurar também o melhor serviço às pessoas”, frisou, então, o primeiro-ministro.

Hoje, o PCP de Évora considerou que a mensagem do Governo é a de que “o transporte de passageiros fica em ‘stand-by’” e que as declarações do primeiro-ministro confirmam que “o PS prometeu o que sabia que não ia ser concretizado”.

“Ou seja, que nunca houve vontade política de aproveitar um importante e inquestionável investimento para o efetivo desenvolvimento e mobilidade neste território”, sublinharam os comunistas.

No comunicado, intitulado “Declarações do Governo confirmam que o distrito de Évora fica a ver passar os comboios”, a DOREV do PCP advertiu que “não basta ligar o porto de Sines a Espanha e à Europa” e recusou que a região fique “a ver passar comboios”.

“É fundamental que as asas de aviões que aqui são produzidas, que os mármores que aqui são extraídos, que as micro, pequenas e médias empresas da região e as populações possam ver refletidos os impactos de um grande investimento nas suas vidas e potencial produtivo existentes”, referiu.

Na cerimónia realizada, na quarta-feira, no concelho de Alandroal, o vice-presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), Carlos Fernandes, disse que a empresa está “a trabalhar” com os municípios locais, como Alandroal, Vila Viçosa, Redondo ou Vendas Novas, para “identificar localizações para terminais rodoferroviários que permitam transferir estes benefícios para a região”.

Em conjunto com a Câmara de Évora, está a ser avaliada “a viabilidade técnica e económica de um terminal” naquela zona, acrescentou Carlos Fernandes.

Segundo a IP, o Corredor Internacional Sul pretende reduzir o tempo de trajeto, em consequência da utilização de comboios de tração elétrica entre Sines e Caia, e “aumentar a eficiência e atratividade” do transporte ferroviário de mercadorias, ao permitir a circulação de comboios de mercadorias com 750 metros de comprimento.

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