A criação de uma carreira mais atrativa, o combate ao subfinanciamento das associações humanitárias e a falta de voluntários são as três principais prioridades definidas por Paulo Alves para o mandato 2026-2029 à frente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Évora.
O segundo comandante dos Bombeiros Voluntários de Vila Viçosa foi reeleito por unanimidade para a presidência da Federação e tomou posse esta segunda-feira, 20 de julho, numa cerimónia realizada nas instalações da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Évora.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, Paulo Alves afirmou receber a reeleição “com um grande sentido de responsabilidade pela confiança” que lhe foi atribuída e também “com uma grande honra”.
Para o dirigente, o resultado eleitoral traduz o reconhecimento do trabalho desenvolvido durante o primeiro mandato, iniciado em 2022.
“Tem sido um trabalho em prol dos bombeiros. Temos conseguido fazer aquilo que nos é proposto, que é defender os bombeiros a nível nacional e, nomeadamente, os bombeiros do distrito de Évora”, afirmou Paulo Alves.
Cartão Municipal do Bombeiro está implementado em cerca de 80%
Questionado sobre as reivindicações apresentadas pela Federação durante o anterior mandato, Paulo Alves reconheceu que várias questões continuam por resolver, embora tenha destacado os avanços alcançados no apoio social aos bombeiros.
Entre os projetos em desenvolvimento encontra-se o Cartão Municipal do Bombeiro, criado em articulação com a Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central e com os municípios do distrito.
Segundo o presidente da Federação, a medida está implementada “em 80%” e pretende assegurar que os bombeiros tenham acesso aos mesmos apoios e benefícios, independentemente do concelho onde prestam serviço.
“Conseguimos resolver o que foi o cartão e os apoios sociais, para que sejam iguais para todos os bombeiros a nível distrital”, explicou.
Paulo Alves referiu que o objetivo passa por garantir que “o bombeiro de Vila Viçosa possa ter as mesmas regalias que o bombeiro de Évora”, estando ainda em curso o processo para alargar a iniciativa a todos os municípios.
Federação quer uma carreira mais atrativa
A criação de uma carreira que permita captar e fixar elementos nos corpos de bombeiros é uma das prioridades para os próximos quatro anos.
Paulo Alves afirmou que a Federação pretende trabalhar em conjunto com a Liga dos Bombeiros Portugueses para sensibilizar o Governo para a necessidade de avançar com uma carreira mais atrativa.
“Vamos empenhar-nos neste mandato na carreira atrativa para os bombeiros, com a Liga dos Bombeiros, para ver se, de uma vez por todas, conseguimos fazer ver ao Governo que os bombeiros necessitam desta carreira”, declarou.
O responsável considera que a valorização dos bombeiros está diretamente relacionada com as condições financeiras das associações humanitárias, apontando o subfinanciamento como outro dos problemas que terá de ser enfrentado.
“Para os bombeiros terem uma carreira, o financiamento das associações também tem de ser saudável”, sublinhou.
Falta de voluntários tem vindo a crescer
A falta de voluntários foi identificada por Paulo Alves como um dos principais desafios para o futuro das corporações do distrito de Évora.
O presidente da Federação alertou para a dificuldade em atrair novos elementos para os bombeiros voluntários, considerando necessário reforçar o diálogo com os municípios.
“A falta de voluntariado é outro pilar em que temos de assentar. Temos de voltar a sentar-nos com os presidentes de Câmara e perceber o que conseguimos fazer para resolver este problema”, afirmou.
Paulo Alves acrescentou que se trata de uma situação “que tem vindo a crescer ao longo do tempo” e que se traduz na dificuldade em “cativar pessoas para entrar para os bombeiros voluntários”.
Para o dirigente, as autarquias podem desempenhar um papel na criação de condições que tornem o voluntariado mais atrativo.
“Temos de lhes fazer ver que, sem bombeiros, não há socorro, puxá-los para o nosso lado e tentar encontrar mais alguma coisa para cativarmos as pessoas”, concluiu.
Federação representa 14 associações humanitárias
A Federação dos Bombeiros do Distrito de Évora representa as 14 associações humanitárias e os respetivos corpos de bombeiros existentes no distrito.
A estrutura assegura a representação institucional das corporações, promove a articulação entre as associações e as entidades públicas e acompanha matérias relacionadas com o financiamento, a formação, a proteção social e a capacidade operacional dos bombeiros.
Paulo Alves inicia agora o segundo mandato na presidência da Federação, depois de ter sucedido, em 2022, a Inácio Esperança.



































































