A Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL) e a associação Alentejo, Terras e Gentes vão avançar com o levantamento e valorização do espólio das bandas filarmónicas da região, num projeto que pretende preservar a memória, a história e o património cultural destas coletividades.
A iniciativa, integrada no programa “Património do Baixo Alentejo”, foi apresentada esta semana e prevê a recolha de documentação junto de bandas filarmónicas ativas e extintas. O objetivo passa por inventariar partituras, arquivos, registos históricos e outros elementos associados à atividade destas instituições.
“Queremos fazer um trabalho semelhante ao que foi feito com o cante alentejano”, afirmou à agência Lusa o primeiro-secretário da CIMBAL, Fernando Romba, explicando que o projeto pretende “fazer uma recolha junto das bandas filarmónicas, das que estão ativas e também extintas, para inventariar o histórico de cada banda com documentos que sejam relevantes”.
Segundo o responsável, a iniciativa deverá permitir perceber “a evolução das bandas, as próprias dinâmicas das associações e das sociedades” que promovem as filarmónicas, contribuindo para preservar a “sua memória, história e património cultural”.
Arquivo ficará disponível numa plataforma digital
A documentação recolhida será tratada e disponibilizada numa plataforma digital do Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades (CIDEHUS) da Universidade de Évora, à semelhança do que aconteceu com o Arquivo Digital do Cante.
O trabalho no terreno ficará a cargo da Alentejo, Terras e Gentes — Associação de Defesa e Promoção Cultural do Alentejo. De acordo com Fernando Romba, a iniciativa “já começou” e deverá ter a duração de “aproximadamente um ano”.
Além da inventariação, está também prevista a realização de um encontro regional de bandas filarmónicas.
“Nós temos bandas com mais de 100 anos que, enquanto escola de música e até de cidadania, são referências importantes no nosso território”, destacou o primeiro-secretário da CIMBAL.
CCDR associa-se ao projeto e destaca património em risco
A CCDR Alentejo associa-se à iniciativa no âmbito das suas competências na área da Cultura. Em declarações ao jornal ODigital.pt, o vice-presidente da CCDR Alentejo, Henrique Sim-Sim, começou por clarificar que o projeto é uma iniciativa da CIMBAL, à qual a comissão se associa, tendo em conta o trabalho desenvolvido pelas bandas filarmónicas na educação, formação de jovens e dinamização cultural dos territórios.
Segundo Henrique Sim-Sim, existem atualmente entre 12 e 14 bandas filarmónicas em atividade no Baixo Alentejo, algumas das quais enfrentam dificuldades na mobilização de novos elementos e na manutenção regular da sua atividade.
O responsável destacou ainda que várias destas bandas têm mais de 100 anos e detêm um património documental e musical que importa preservar. O projeto pretende, por isso, “identificar, mapear, inventariar todo o seu legado” e disponibilizá-lo num repositório digital acessível à comunidade, investigadores, músicos e outros interessados.
Entre o material a inventariar estarão partituras, músicas desenvolvidas por maestros e elementos das próprias bandas, arquivos documentais e outros registos ligados à história destas coletividades.
Projeto pode ser replicado noutras regiões
Para Henrique Sim-Sim, este trabalho poderá vir a funcionar como um projeto-piloto, não apenas para o Alentejo, mas também para outras regiões do país, pela forma como combina inventariação, pesquisa, digitalização e disponibilização pública do património.
O vice-presidente da CCDR Alentejo referiu ainda que a valorização das filarmónicas está alinhada com outros instrumentos de apoio, incluindo uma nova linha de financiamento do Governo destinada a estas estruturas culturais, que será divulgada pela CCDR Alentejo.
Fernando Romba sublinhou, por sua vez, o papel das pessoas que mantêm as bandas em atividade, “a esmagadora maioria” em regime de voluntariado, defendendo que o levantamento também permitirá valorizar esse contributo para a cultura musical e para a vida associativa do território.
“Acho que é um reconhecido valor para [o que fazem pela] cultura do nosso território, para a cultura musical e também pela construção de melhores cidadãos do Baixo Alentejo”, afirmou.
Património do Baixo Alentejo inclui ofícios tradicionais
A inventariação das bandas filarmónicas integra o programa “Património do Baixo Alentejo”, uma iniciativa mais ampla de valorização da cultura da região.
Além do cante alentejano e das bandas filarmónicas, o programa prevê ações ligadas aos ofícios tradicionais, ao ciclo do barro e da lã, à construção de violas campaniças, ao mobiliário tradicional alentejano e ao fabrico de cestaria típica de Odivelas, no concelho de Ferreira do Alentejo.
Segundo Fernando Romba, o objetivo é valorizar estas atividades culturais e contribuir para aumentar o número de turistas e visitantes no Baixo Alentejo.


















