A cidade de Évora não serviu apenas de cenário às filmagens de “Millennial Mal”. Foi também um dos elementos que ajudou a construir a narrativa da série luso-espanhola, revelou esta quarta-feira Pandora da Cunha Telles, produtora da Ukbar Filmes, durante a apresentação da produção na capital alentejana.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, a produtora explicou que a coprodução nasceu da parceria com a espanhola Tornasol Media, com quem a empresa portuguesa já desenvolvia outros projetos. Quando surgiu o argumento de “Millennial Mal”, a equipa procurou uma forma de integrar Portugal na história.
“Começámos a trabalhar no guião desde as primeiras versões para perceber como podíamos fazer isto entre duas universidades e duas cidades. Foi aí que trouxe fotografias de Évora para mostrar à equipa criativa e todos ficaram apaixonados pela cidade”, afirmou.
Uma cidade que marca a narrativa
Segundo Pandora da Cunha Telles, a escolha de Évora não foi aleatória. A cidade reunia os elementos históricos e visuais que a produção procurava para representar uma fase marcante da vida da protagonista.
“Confesso que sou apaixonada por Évora e pelo Alentejo. Precisávamos de uma cidade que, em poucas imagens, fosse emblemática. Para uma apaixonada por arqueologia, durante um Interrail, fazia todo o sentido visitar o Templo Romano”, explicou.
A produtora acrescentou que, além dos monumentos, também a identidade contemporânea da cidade foi valorizada durante as filmagens.
“Não queríamos mostrar apenas o lado institucional de Évora. Também quisemos integrar elementos mais atuais, como a arte urbana, a música e outros sinais da cidade contemporânea, criando uma mistura entre tradição e modernidade”, referiu.
Estreia em Évora foi uma escolha assumida
A apresentação oficial da série realizou-se precisamente em Évora, uma decisão que Pandora da Cunha Telles considera natural.
“Temos de estrear onde as coisas são feitas. Não fazia sentido estrear em Lisboa. Fazia muito mais sentido fazê-lo em Évora e permitir que as pessoas que participaram na série pudessem assistir a este momento”, afirmou.
A iniciativa incluiu ainda uma masterclass com os atores portugueses Afonso Pimentel, Helena Caldeira e Afonso Laginha, procurando aproximar os profissionais do setor dos jovens interessados no audiovisual.
Segundo a produtora, o objetivo passa também por incentivar o aparecimento de novos profissionais fora dos grandes centros urbanos.
“Precisamos de incentivar a existência de profissionais da cultura e do audiovisual não apenas nos dois grandes centros urbanos, mas também no resto do país”, sublinhou.
Helena Caldeira levou o Alentejo até Espanha
Durante a conversa com o ODigital.pt, Pandora da Cunha Telles destacou ainda a escolha da atriz Helena Caldeira, natural de Montemor-o-Novo, para integrar o elenco.
A responsável explicou que, além das qualidades artísticas da atriz, existiu também a intenção de reforçar a ligação entre os dois países através do elenco.
“Levamos um pouco do Alentejo a Pamplona e um pouco de Pamplona ao Alentejo. Gosto de misturar os ingredientes e criar estes intercâmbios entre Portugal e Espanha”, afirmou.
A produtora acrescentou que este tipo de coproduções permite afirmar a identidade portuguesa junto de um mercado audiovisual de maior dimensão.
Série estreia a 16 de julho
“Millennial Mal” estreia no próximo 16 de julho, ficando disponível na íntegra na plataforma Filmin e sendo exibida na RTP1, às 22h30. A série acompanha Judith, uma mulher de 44 anos que regressa à universidade devido a um erro administrativo e decide assumir a identidade de uma estudante de 20 anos.
As filmagens decorreram em Évora e Pamplona, reunindo uma equipa técnica portuguesa e um elenco composto por atores portugueses e espanhóis.



































