A proposta coordenada por João Barros Matos venceu o concurso para a elaboração do projeto de reabilitação do Palácio dos Condes do Vimieiro, em Arraiolos. O imóvel, situado na localidade de Vimieiro, encontra-se em ruína e foi adquirido pela Câmara Municipal em 2021 com o objetivo de ser recuperado e transformado num polo cultural ligado à música filarmónica.
Segundo a ordenação final do concurso limitado por prévia qualificação, promovido pelo Município de Arraiolos com assessoria técnica da Secção Regional do Alentejo da Ordem dos Arquitectos, o primeiro lugar foi atribuído à Santorini – Sun Invest, Imobiliária Lda, com coordenação de João Barros Matos.
O segundo lugar foi atribuído à Miguel Marcelino Arquitectura, Lda, com coordenação de Miguel Marcelino, enquanto o terceiro lugar coube à Tiago Filipe Santos – Arquitetura Unipessoal, Lda., coordenada por Tiago Filipe Santos.
Júri escolheu proposta por unanimidade
De acordo com o relatório final do júri, a proposta vencedora foi escolhida por unanimidade por ser a que “melhor compreendeu o objetivo, a natureza e a hierarquia dos espaços”, ao apresentar uma nova construção que respeita e valoriza o Palácio, em vez de competir com o edifício histórico.
O júri destacou que o novo edifício proposto é contido e discreto, respeitando a cota do muro do alçado e centrando a reabilitação no edifício principal. A solução foi considerada um exercício de contenção e respeito pelo Palácio, pela sua história e pelo atual contexto urbano.
A proposta distingue ainda a afetação dos pisos aos diferentes usos, colocando as áreas técnicas no piso térreo e a área visitável pelo público no primeiro piso, mantendo a estrutura espacial e os acessos entre espaços. Para o júri, esta organização garante maior fluidez na articulação entre as várias valências do programa, com circuitos lógicos e uma utilização intuitiva dos espaços.
Espaço exterior preparado para eventos musicais
O relatório valoriza também a solução proposta para o espaço público exterior, fronteiro ao alçado principal do Palácio. Segundo o júri, este espaço poderá permitir diferentes utilizações, incluindo eventos musicais ao ar livre, seguindo a lógica das apresentações públicas das bandas filarmónicas.
Esta componente liga o projeto vencedor ao objetivo definido pela Câmara de Arraiolos desde o início do processo: recuperar o Palácio dos Condes do Vimieiro e instalar naquele espaço um polo cultural dedicado à música filarmónica, com vertentes de musealização, formação, investigação e programação artística.
Em matéria de exequibilidade, o júri considerou que a proposta apresenta as melhores condições de sustentabilidade a longo prazo. A opção por uma construção nova mais contida é apontada como uma solução com menores custos de execução e manutenção, bem como maior eficiência económica na gestão futura do edifício.
A proposta foi ainda destacada por se debruçar sobre questões de eficiência energética. Apesar da avaliação favorável, o júri assinalou que as zonas técnicas e de apoio ao auditório ficaram aquém do restante conjunto da intervenção, podendo vir a ser melhoradas.
Imóvel foi adquirido pela Câmara em 2021
O processo de recuperação do Palácio dos Condes do Vimieiro remonta a 2021, ano em que a Câmara Municipal de Arraiolos deliberou adquirir o imóvel à Santa Casa da Misericórdia de Vimieiro por 116 mil euros.
Na altura, a autarquia justificou a aquisição com a necessidade de preservar este património histórico e cultural, homologado como imóvel de Interesse Municipal, e de avançar posteriormente com a sua reabilitação e requalificação.
Em junho desse ano, foi assinado o contrato de promessa de compra e venda entre o município e a Santa Casa da Misericórdia de Vimieiro. A Câmara anunciou então a intenção de recuperar o antigo Palácio dos Condes do Vimieiro para instalar um polo cultural, com especial enfoque na valorização das bandas filarmónicas.
A autarquia referia que o projeto deveria incluir um espaço museológico sobre a música filarmónica, uma componente de formação musical, preservação de saberes e tradições, residências artísticas, auditório, workshops e outras valências a definir no plano final.
Reabilitação estava prevista no orçamento municipal
Em 2024, a Câmara de Arraiolos voltou a apontar a requalificação do Palácio dos Condes do Vimieiro como um dos principais projetos municipais, prevendo o avanço da fase de projeto.
O objetivo então indicado pela autarquia era transformar o Vimieiro num centro de estudo, investigação e divulgação da música filarmónica, valorizando a história do edifício e o período em que vigorou o poder senhorial na vila do Vimieiro, entre 1437 e 1801.
Já em 2025, foi lançado um concurso público associado à reabilitação do edifício, com valor fixado em 422,3 mil euros. As peças do procedimento descreviam o Palácio como devoluto e em avançado estado de degradação, com necessidade de medidas urgentes, sobretudo na cobertura, para travar a entrada de água, humidades e outras anomalias.
A escolha da proposta vencedora para o projeto de reabilitação representa, assim, uma nova etapa no processo iniciado pela autarquia em 2021 para preservar o Palácio dos Condes do Vimieiro e dar-lhe uma nova função cultural.
Palácio conserva vestígios quinhentistas
O Palácio dos Condes do Vimieiro, também referido como Quinta e Palácio dos Condes do Vimieiro, é um imóvel com valor histórico e cultural. O atual edifício terá sido construído entre 1770 e 1790 por D. Sancho de Faro e Sousa, governador da praça de Estremoz, 11.º senhor e 4.º conde do Vimieiro.
Apesar da construção setecentista, o imóvel conserva vestígios arquitetónicos de um antigo paço quinhentista. O conjunto inclui ainda um jardim associado a D. Teresa de Melo Breyner, mulher de D. Sancho de Faro e Sousa.
Nesse jardim destaca-se a Fonte-obelisco, construída em 1774, cujo desenho neoclássico é atribuído ao engenheiro francês Guilherme Luís Antoine de Valleré.




















