Organizações dizem que Conselho Nacional da Caça tem excesso de entidades e não participaram na reunião

Três organizações do setor decidiram não participar na reunião de ontem entre o Governo e o Conselho Nacional da Caça por considerarem que o organismo é composto por um número excessivo de entidades.

A inclusão do provedor do animal na recomposição do órgão foi outro motivo invocado pela Associação Nacional de Proprietários Rurais, Gestão Cinegética e Biodiversidade (ANPC), pela Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses (CNCP) e pela Federação Portuguesa de Caça (FENCAÇA), num comunicado, para não estarem presentes no encontro.

Na nota ontem divulgada, as três associações, “que representam a esmagadora maioria dos caçadores portugueses e são as únicas representantes das entidades concessionárias e gestoras de zonas de caça“, criticam a criação de um Conselho Nacional da Caça “com várias dezenas de entidades“.

Para as três organizações representativas do setor, essa decisão, para a qual salientam terem alertado o Governo, vai transformar o Conselho Nacional “num órgão sem qualquer utilidade, verdadeiramente ingerível e totalmente inoperacional”.

“Um excessivo número de entidades é a repetição de um erro. É condenar, à partida, qualquer discussão séria e transformá-la num debate desfocado, estéril e inconsequente“, consideram as três associações, em comunicado.

As três organizações acusam ainda o Governo de “ceder à agenda radical animalista” e consideram “verdadeiramente inadmissível” a inclusão do provedor do animal.

As associações que subscrevem o comunicado hoje divulgado avisam que se “recusam a discutir matérias relacionadas com caça com o provedor do animal no seio deste Conselho, provedor este que é resultado da deriva animalista e daqueles que querem acabar com a caça“.

As três entidades que se manifestaram frisam que a caça “é universal e internacionalmente entendida como uma atividade de gestão sustentável dos recursos naturais“, por isso entendem ser “absolutamente desajustado juntar aos temas de conservação e gestão dos recursos bravios (fauna selvagem) matérias do bem-estar dos animais domésticos e de companhia que estão na esfera deste provedor do animal, o que seria escancarar a porta aos extremismos e radicalismos animalistas“.

“Dar um lugar no Conselho ao provedor do animal é uma trapalhada e uma afronta ao setor da caça e ao mundo rural. As questões do bem-estar de animais domésticos ou de companhia não se podem confundir com as questões da caça e animais selvagens“, sustentam, no documento conjunto.

O Governo anunciou hoje apoios no valor global de 10,4 milhões de euros para o setor da caça, após uma reunião com o Conselho Nacional da Caça onde o plano foi apresentado.

No encontro estiveram presentes o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, e o secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, João Catarino.

As três “organizações de primeiro nível” salientam que as verbas anunciadas e há muito reivindicadas “são necessárias e bem-vindas“, mas consideram que a composição e funcionamento do Conselho Nacional da Caça “é uma questão independente” e lamentam não ser claro se os apoios financeiros “vão compensar o impacto negativo e os prejuízos causados pela pandemia, aliviando as taxas pagas pelas zonas de caça e as licenças dos caçadores, como foi proposto“.

Sem a sua presença, os três organismos dizem que o Governo esteve hoje reunido “com 5 % do setor da caça” e esperam que exista “bom senso” para “rever algumas destas posições“.

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