O deputado socialista Pedro do Carmo, eleito pelo circulo eleitoral de Beja, traçou um diagnóstico sobre as propostas do partido para o distrito no âmbito do Orçamento de Estado (OE) de 2026.
Em declarações a’ODigital.pt, o deputado lembrou que o PS está agora na “oposição”, mas garante que o partido continuará a apresentar propostas com “responsabilidade”.
“O PS tem de quantificar cada proposta para que não venha no futuro a ser a razão de voltar a haver défice”, destacou, sublinhando ainda que não quer que eventuais desequilíbrios sejam “atribuídos ao partido”.
Portagens: “Os residentes no Alentejo também querem ser isentados”
A isenção de portagens surge como umas das bandeiras. Pedro do Carmo recordou que os socialistas querem simplesmente “o mesmo que foi aprovado no ano anterior para outras regiões do país”, defendendo que o interior não pode continuar a ser penalizado: “Os residentes no Alentejo também querem ser isentados”.
O deputado referiu que a proposta apresentada pretende abranger “os concelhos do interior, neste caso o Alentejo, pela não cobrança de portagens para os residentes e para as empresas”.
Sobre os custos anunciados em notícias recentes, Pedro do Carmo foi claro: “Sempre que toca em medidas que têm a ver com proteger e discriminar positivamente quem vive no interior, é sempre o problema dos custos”.
Desta forma, atirou que “nos grandes centros urbanos nunca há essa preocupação”, tendo ainda vincado que “temos direito a ser compensados por não ter acesso a vias de comunicação em condições”.
O deputado frisou ainda uma reivindicação concreta: “Que não paguemos portagens no troço entre o Algarve e a Marateca”.
A26: “Um projecto que ficou parado e que trouxe muitos problemas à região”
A ligação A26 é outro dossiê que continua sem solução definitiva. Pedro do Carmo recordou que a obra “ficou cortada”, “foi iniciada e infelizmente ficou parada, com todos os problemas que tem trazido para a região”.
Ainda assim, destacou avanços recentes, nomeadamente com a execução do “acesso à capital de distrito”, com a criação das “variantes Beja, Figueira de Cavaleiros e Beringel”.
Porém, deixou claro que o PS não desistirá da obra-mãe, a A26, uma vez que é “necessária”. Contudo, confessou que já “não é possível” incluir a obra neste OE. Ainda assim “continuaremos a reivindicar a sua concretização”.
Ferrovia: “Estamos quase a chegar a Dezembro e nada foi lançado”
A electrificação da ferrovia é outro tema que preocupa a região há vários anos e o deputado. Vincou que havia um “compromisso” do Governo de lançar o concurso público internacional até ao final do ano, mas apontou o atraso: “Estamos quase a chegar a Dezembro e nada foi lançado”.
Mostrou igualmente preocupação com rumores sobre a eventual perda de investimento face aos prazos dos fundos comunitários: “Esperemos que não sejam verdade”. Mas concordou que “corremos o risco de perder 60 milhões de euros”.
O deputado reforçou que a ferrovia é “essencial” não só para passageiros, mas também para a “ligação ao aeroporto” e que o partido continuará a “agir para garantir” essa ligação.
Transportes públicos: “Problema? É não os termos”
Sobre a mobilidade no distrito, Pedro do Carmo foi taxativo, tendo afirmado que “no Baixo Alentejo, o problema não é pagar os transportes, é não termos os transportes públicos.”
Assim, explicou que o interior continua dependente da “viatura própria” e que as soluções existentes ainda estão “muito aquém das necessidades”.
Desta forma, relacionou directamente esta falha com a desertificação, uma vez que “se as pessoas não tiverem acessibilidades, não se fixam no interior”, até porque “não têm acesso às mesmas oportunidades”.
Aeroporto de Beja: Não ter boas acessibilidades “não tem contribuído” para o desenvolvimento
Quanto ao aeroporto, Pedro do Carmo rejeitou a ideia de que esteja “parado”, porém admitiu que falta capacidade de desenvolvimento.
Recordou que o equipamento nunca foi pensado como “grande aeroporto de passageiros” e que “sempre” defendeu que é um “aeroporto de retaguarda e complementar” a um grande aeroporto.
Assim, acrescentou que “o facto de não ter boas acessibilidades não tem contribuído para que estas vertentes se desenvolvam”.
Regadios: “É vital acelerar processos que estão a ficar atrasados”
Sobre o Plano Nacional de Regadio, Pedro do Carmo alertou que, apesar do Baixo Alentejo ser “a região que mais regadio tem”, há projectos importantes que continuam por concluir, sendo necessária a”conclusão” da “implementação” deste plano no distrito.
O deputado disse que considera “vital acelerar os processos que estão a ficar atrasados”, lembrando que essa celeridade é essencial para a “competitividade agrícola” da região.
Hospital de Beja: Objetivo é “repor o financiamento”
Outra das grandes preocupações do deputado é a retirada da segunda fase do Hospital de Beja do OE. Pedro do Carmo garantiu que o PS já apresentou proposta para “repor o financiamento”: “Sou um defensor intransigente do nosso Serviço Nacional de Saúde”.
Questionado em relação à criação de um hospital privado na cidade de Beja, que tem a conclusão agendada para 2026, e se esse facto poderia adiar a referida ampliação, o deputado não criticou esse investimento: “Não vejo nenhuma razão para não apoiarmos a instalação”.
Ainda assim, vincou veementemente que “o Hospital de Beja foi construído há muitos anos e desde o início foi previsto que iria ter uma nova fase” e que essa empreitada é encarada por Pedro do Carmo como uma “referência”.
Sobre a falta de profissionais, lembrou que “sempre que há uma melhoria significativa nas condições de trabalho, há um efeito directo na captação de profissionais”e, por isso, não deverá ser uma preocupação, caso a obra avance.
Autarcas alertam para riscos no PRR
Pedro do Carmo também reforçou a preocupação dos autarcas, com quem mantém “contacto directo”, até porque “a atividade do deputado não se resume ao momento da discussão do Orçamento”.
Desta forma, revelou que várias câmaras têm a preocupação da possibilidade de enfrentar custos elevados se as obras financiadas pelo PRR não ficarem concluídas a tempo: “Ainda há pouco tempo questionei o senhor Ministro da Coesão sobre estes projectos, como é que o Estado vai compensar a possibilidade de financiamento“.




















