O deputado João Lopes Aleixo, eleito pelo Chega no círculo eleitoral de Portalegre, detalhou a agenda do partido para o distrito nas propostas ao Orçamento do Estado (OE) de 2026, com críticas duras ao documento do Governo e um pacote de medidas para saúde, água, acessibilidades e agricultura.
Em declarações a’ODigital.pt, o deputado afirmou que a primeira proposta do OE, por parte do Governo “está muito desligada da realidade do país” e que é “especialmente injusto para o interior e para distritos como Portalegre”.
João Lopes Aleixo acusou o executivo de falta de ambição para travar a desertificação, referindo que “continuamos a ser abandonados no interior” e o resultado será “a diminuição de população”.
Saúde: Campus e expansão do Hospital de Portalegre
Entre as propostas dirigidas ao distrito, João Lopes Aleixo destacou a inclusão da aquisição do antigo Colégio Diocesano de Santo António, em Portalegre, para levar a cabo a expansão do hospital.
Desta forma, afirmou que foi identificado “um projeto que estava omisso” no OE e que considera “muito importante” para a população, sublinhou.
Segundo o deputado, o investimento não se esgota em 2026, indo até 2029, até porque, revelou, se trata de um valor superior a 42,5 milhões de euros.
Assim, para arrancar, o Chega pretende garantir já 2,5 milhões para a aquisição do edifício, tendo como objectivo “centrar neste edifício tudo o que é ambulatório”, como consultas externas, diagnósticos, fisioterapia e laboratórios. Detalhes que reuniu junto do Conselho Administrativo da ULS.
João Lopes Aleixo disse que a expansão é “necessária” para “adequar o hospital à realidade demográfica”, uma vez que “as zonas de cuidados continuados estão a abarrotar de gente” e a resposta deve acompanhar o envelhecimento do distrito.
Barragens do Pisão e da Póvoa e Medas? “Não vou dar descanso”
O deputado colocou a Barragem do Pisão no topo das prioridades, pois “é determinante para o distrito”, lembrando as cerca de duas décadas de promessas adiadas.
“Nós, em Portalegre, estamos habituados a promessas”, disse, lembrando que obras anunciadas em 2009 continuam sem conclusão.
Da Barragem do Pisão, lembrou que o projeto consta no Orçamento de Estado, mas considerou que se espera impacto no regadio, água, energia e até no turismo: “Temos evidências que isto funciona”, frisou, comparando com o Alqueva.
Desta forma, criticou a paragem das obras, devido a uma providência cautelar, atribuindo as culpas aos “urbano-depressivos, que não percebem nada de agricultura, nem do interior, nem do impacto que projectos destes têm no tecido social e económico dum distrito como Portalegre”.
“Divertem-se a pôr providências cautelares para engonhar um processo que já devia estar contruído há muito tempo”, acrecsentou, dando também o examplo da Barragem de Alqueva, que também “foi feito a muito custo”.
Referiu ainda que o Chega volta também a exigir a reparação da Barragem da Póvoa e Meadas. Mesmo que a proposta tenha sido chumbada no OE de 2025, o deputado insistiu que não irá largar o tema, junto do Governo: “Não vou dar descanso”.
Acessibilidades: autoestrada, IC3, IP2 e ferrovia
Na mobilidade, João Lopes Aleixo recordou que Portalegre é uma das poucas capitais de distrito sem ligação directa à autoestrada. Assim sendo, o Chega pretende fazer pressão para que se arranque com o fim dessa premissa.
O deputado sublinhou que disse ao Ministro das Infraestruturas que que “a única prioridade é a ligação à autoestrada”, notou o deputado, garantindo pressão política constante, “enquanto isso não for feito”.
Para além da via rápida, também a conclusão do IC3 surge como outra obra-chave, pois é “igualmente importante, porque vai ligar todo o distrito”, sobretudo a zonas empresariais ao eixo de Lisboa, através dos vários nós que poderá vir a ter.
Já no que diz respeito ao IP2, o Chega pede melhorias e mais fluidez entre Estremoz e a Barragem do Fratel, para além de melhorias no piso: “Há zonas perigosas e o piso já se começa a degradar.
Quanto à ferrovia, o deputado defende a modernização da Linha do Leste e soluções para aproximar a estação ao centro urbano. “É preciso é querer fazer”, comentou.
Agricultura: Fim da tributação dos apoios e incentivo aos jovens
Na agricultura, o deputado disse que o Governo anuncia reforços, mas que na realidade são um “corte”, detalhando que “temos uma diminuição de 400 milhões de euros face ao orçamento do ano anterior”.
A medida central do Chega é a isenção total de IRS e IRC sobre pagamentos directos do primeiro pilar da Política Agricola Comum (PAC). Isto porque, “o Estado vai buscar esse apoio”, que mutias vezes vem de “fundos comunitários”, criticou, chamando ao modelo “completamente anacrónico”.
“São verbas que são dadas aos agricultores e depois são taxadas. São destinadas aos produtores, mas, pelos vistos, também ao Estado”, acrescentou.
João Lopes Aleixo revelou que o partido tem também propostas para travar o envelhecimento rural, com a aposta em jovens agricultores, defendendo “incentivos fiscais” mais relevantes.
Fundo de 300 milhões para pequena agricultura e prevenção de incêndios
O Chega propõe também a criação de um fundo de 300 milhões de euros para apoiar “pequenas explorações familiares”, tendo como objetivo “redesenhar o mosaico deste país” e combater o abandono do território.
“Temos de pensar o país a longo prazo”, vincou João Lopes Aleixo, dizendo ainda que “infelizmente, o Governo, muitas vezes, gere para uma legislatura de quatro anos”.
O deputado lembrou ainda a questão da Serra de São Mamede, que “graças a Deus, não tem tido acidentes há muito tempo”. Ainda assim, e com a volta das chuvas e das baixas temperaturas, sublinhou que há que pensar “nos grandes incêndios que temos tido”.
Desta forma, o partido pretende, aqui também, o “redesenhar do mosáico”, até porque, segundo João Lopes Aleixo, as tragédias têm a ver com a “diminuição de atividade em algumas áreas”.
Trabalho com autarquias e pressão parlamentar
O deputado diz manter contacto regular com autarcas, forças de segurança e instituições locais, mesmo com “divergências políticas”: “Falo com eles todos da mesma forma e com a mesma abertura”.
João Lopes Aleixo garantiu que levará ao Parlamento os problemas do território, até porque “represento um distrito, que tenho muito orgulho, porque acho que estamos esquecidos.”
Com estas propostas, João Lopes Aleixo diz que o Chega quer um OE “com políticas claras de desenvolvimento do interior” e deixou ainda uma promessa clara: “Cá estaremos para escrutinar”.




















