Oceanic investe 2,2M€ na ampliação de fábrica de peixe em Sines

Uma empresa especializada no comércio de peixe fresco prepara-se para investir cerca de dois milhões de euros na construção de uma nova fábrica em Sines, que vai permitir aumentar as exportações e criar postos de trabalho.

Atualmente, a Oceanic desenvolve a sua atividade na lota de Sines (Docapesca), onde compra e prepara uma parte do peixe que distribui pelos clientes, mas o espaço já é pequeno para o volume que a companhia transaciona, contou hoje à agência Lusa um dos proprietários, Miguel Segundo.

A construção da fábrica vai ser feita em duas fases, adiantou o empresário, sendo que a primeira deverá começar em fevereiro, após a confirmação da comparticipação por fundos comunitários (55%) do investimento a rondar os dois milhões de euros.

A unidade, que vai ter uma área de 1.800 metros quadrados, deverá estar pronta a funcionar no início do verão, sendo criados perto de 15 postos de trabalho, indicou.

A nova infraestrutura vai permitir à Oceanic expandir o negócio, desde logo, com a instalação de uma “pequena” unidade de congelação, garantida pela venda de três mil toneladas anuais de alimento para aquacultura a um cliente espanhol.

Em 2016, está previsto arrancar a segunda fase de investimento, de mais de três milhões de euros, para ampliação do edifício e instalação de uma unidade de congelação de pescado para consumo humano.

De acordo com Miguel Segundo, trata-se de uma atividade pouco expressiva para a empresa, à volta de 1.500 toneladas por ano, que atualmente é feita em fornecedores.

No entanto, apesar de poder ficar mais cara a produção própria, o empresário quer “controlar o processo todo”.

A Oceanic foi fundada há cerca de dois anos, em Ermidas-Sado, no concelho de Santiago do Cacém, por Miguel Segundo e outro sócio.

No ano passado, referiu Miguel Segundo, a empresa faturou mais de 31 milhões de euros, o que representou um aumento de 15% em relação a 2012.

Além das instalações em Sines, a Oceanic tem mais dois armazéns, um em Matosinhos e outro em Portimão, totalizando, em Portugal, cerca de 50 funcionários, aos quais se juntam 12 numa outra unidade em Tânger (Marrocos).

A distribuição das unidades é “estratégica”, explicou o empresário alentejano, pois facilita a compra do pescado nas lotas e a importação, que representa aproximadamente 40% da atividade da empresa.

A exportação já teve melhores dias, reconheceu, uma vez que dependia em grande parte da vizinha Espanha, onde “baixou muito o consumo”, mas, ainda assim, contribui com mais de 15% da faturação.

Número que o proprietário da companhia pretende aumentar, pois está convencido de que em Portugal “pouco mais” poderão crescer.

Miguel Segundo acredita que a indústria do pescado “tem futuro”, mas a crise alterou os hábitos alimentares dos portugueses, que agora “comem mais barato”, preferindo carapaus e peixe-espada, a robalos ou douradas.

Mas, os “grandes inimigos do peixe” são alimentos como o frango, o coelho, as pizas e os hambúrgueres, afiançou, “qualquer coisa barata que encha a barriga às famílias”.

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