“O risco real para a comunidade é baixo”, diz autarca de Alandroal sobre o surto de Covid em estaleiro

João Grilo

Um surto de covid-19 num estaleiro das obras da nova ferrovia Sines-Caia colocou o concelho de Alandroal (Évora) acima do limiar de risco de incidência, mas os casos já estão “em regressão“, revelou hoje o presidente do município.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara de Alandroal, João Grilo, indicou que os casos de infeção que existem atualmente no concelho “devem-se a um único surto”, o qual “surgiu num dos estaleiros da obra” da ferrovia e “sem ligação à comunidade“.

Este surto do coronavírus SARS-CoV-2 que provoca a doença da covid-19 “estendeu-se até aos 28 casos“, adiantou, admitindo que já é “um número significativo“.

Contudo, o presidente do município realçou que, na segunda-feira, já tiveram alta 16 dos infetados.

Sublinhando que “o risco real para a comunidade é baixo“, o autarca disse esperar que “até final desta semana” seja dada alta a “mais alguns” trabalhadores infetados para que o número de casos no concelho possa “baixar significativamente“.

Temos a expectativa de que esta evolução positiva seja considerada” e que “não nos impeça de seguirmos o caminho do desconfinamento, juntamente com os outros municípios, uma vez que é uma situação muito particular“, referiu.

Alandroal é um dos sete municípios que registam mais de 240 casos de covid-19 por cem mil habitantes nos últimos 15 dias, juntamente com Carregal do Sal, Moura, Odemira, Portimão, Ribeira de Pena e Rio Maior.

O presidente deste município alentejano falava à Lusa após a reunião, por videoconferência, que juntou os presidentes destas câmaras municipais e o primeiro-ministro, António Costa.

João Grilo mostrou-se satisfeito com o reforço da fiscalização e das inspeções às condições sanitárias de habitações temporárias de obras ou colheitas, anunciado no final da reunião pelo chefe do Governo.

É importante que haja uma boa articulação entre as entidades públicas, as empresas no terreno e a autoridades de saúde para que não voltemos a ter situações destas, até porque o número de trabalhadores em obra deverá aumentar“, notou.

Segundo o autarca alentejano, ao longo dos três troços da futura linha ferroviária do Corredor Internacional Sul Sines-Caia que estão em construção, “está previsto que possam estar a trabalhar até cerca de 3.000 pessoas“.

Nesse sentido, defendeu, “a testagem massiva deve ser um recurso fundamental“.

O presidente da Câmara de Alandroal disse ainda ter a informação de que foi feita a testagem dos trabalhadores dos dois estaleiros da obra da ferrovia situados no concelho, mas não soube precisar o número total de testes realizados.