O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA), Ricardo Pinheiro, destacou o projeto da futura fábrica de baterias em Sines como um investimento com potencial para reforçar o posicionamento do Alentejo na indústria verde europeia e na captação de investimento internacional.
Durante uma intervenção pública, em Alandroal, o responsável referiu que a região tem acompanhado projetos industriais de grande dimensão ligados à transição energética e à inovação tecnológica, apontando o investimento previsto para Sines como um exemplo desse processo.
Ricardo Pinheiro sublinhou que o projeto está associado a tecnologia e digitalização e enquadra-se nos objetivos europeus de descarbonização. «Estamos a falar de mais de mil e duzentos milhões de euros em tecnologia, digitalização e descarbonização, em linha com aquilo que são os objetivos europeus», afirmou.
Sines como polo de investimento industrial
Segundo o presidente da CCDRA, o território tem vindo a ganhar relevância na atração de investimento industrial, sobretudo em setores associados à transição energética e às novas tecnologias.
Ricardo Pinheiro destacou o papel do complexo portuário e industrial de Sines, referindo que «Sines tem um potencial enorme» e que projetos desta natureza estão a ser acompanhados com atenção pelas entidades regionais e nacionais.
O responsável defendeu também a necessidade de garantir rapidez na análise e aprovação de investimentos estruturantes, considerando que a captação de investimento é determinante para a transformação económica da região.
«Este é um dos projetos que tem sido acompanhado com cuidado, mas acima de tudo é necessário aplicar a rapidez que o território exige», afirmou.
Resposta aos desafios da indústria verde europeia
Ricardo Pinheiro considerou ainda que o Alentejo reúne condições para responder aos desafios colocados pela transição energética e pela reindustrialização europeia.
De acordo com o responsável, fatores como a produção de energias renováveis e as infraestruturas tecnológicas existentes reforçam a capacidade da região para atrair investimento internacional.
«O Alentejo tem a possibilidade de responder aos grandes desafios da indústria verde europeia», afirmou, apontando também a presença de cabos de dados que ligam a América à Europa e que estão ancorados em Sines como um dos fatores estratégicos do território.
Projeto industrial com impacto económico
O projeto da fábrica de baterias está associado ao grupo chinês CALB e prevê a instalação de uma unidade industrial na Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS), dedicada ao fabrico de baterias de iões de lítio para o setor automóvel e para sistemas de armazenamento de energia.
O investimento global previsto ascende a cerca de 2.067 milhões de euros e o Governo português poderá conceder um incentivo público até 350 milhões de euros, ao abrigo do regime europeu de apoio à reindustrialização e à aceleração da inovação.
Segundo dados apresentados pelas entidades envolvidas no projeto, a futura unidade industrial poderá criar cerca de 1.800 postos de trabalho diretos, incluindo quase 500 altamente qualificados, estando a entrada em funcionamento prevista para 2028.
Ricardo Pinheiro sublinhou que projetos desta dimensão representam uma oportunidade para reforçar a capacidade do Alentejo em captar investimento internacional e consolidar a região como um território relevante na nova indústria energética europeia.
«É preciso perceber de que forma conseguimos dar respostas positivas e rápidas aos investidores externos que querem vir para a região Alentejo», concluiu.

