Duas datas erguidas como colunas monumentais no vasto templo da nossa história. Datas que nenhum partido pode reclamar, pois pertencem ao pulso profundo da Nação e ao fervor anónimo do povo que as fez acontecer.
São momentos distintos, forjados por necessidades diferentes, mas nenhum sobrevive sem o outro. Cada qual cumpriu a missão que o destino lhe escreveu, guiando Portugal através de uma encruzilhada decisiva.
O 25 de Abril irrompeu como aurora deslumbrante, quebrando quarenta e oito anos de silêncio e entregando ao país o sopro ardente da Liberdade.
O 25 de Novembro ergueu-se como muralha firme, assegurando a permanência da Democracia nascente e impedindo que o sonho se perdesse na tempestade.
Separados pelo tempo, unidos pelo propósito. Abril abriu as portas ao vento que purifica, Novembro consolidou o caminho, segurou o leme e deu forma estável ao destino que despontava no horizonte.
A Liberdade elevou o espírito português, devolvendo-lhe voz e esperança. A Democracia organizou o novo tempo, conferindo-lhe ordem, permanência e sentido de futuro.
Juntas, Liberdade e Democracia avançaram como duas forças gémeas, cumprindo com honra o desígnio que a História austera, implacável e luminosa, lhes atribuiu.
Pois só assim uma Nação permanece digna e desperta: quando Abril a convoca ao sonho que renasce e Novembro a exorta-a defender, com coragem, aquilo que é imprescindível preservar.
Porque Abril não é bandeira de esquerda, nem Novembro estandarte de direita. Falta-nos, muitas vezes, a visão clara e a leitura íntegra do nosso passado para firmarmos o presente e construirmos, com sobriedade, o futuro.
E ainda que tantas vozes tentem diminuir a importância do 25 de Novembro de 1975, esta data permanece na linha da frente uma vitória silenciosa, mas decisiva que moldou o percurso de Portugal e garantiu que a Liberdade tivesse chão onde florescer.


















