Nove arguidos acusados de crimes relacionados com assaltos a ourivesarias pelo país

O Ministério Público (MP) acusou oito pessoas e uma empresa suspeitas de pertencerem a um grupo criminoso que terá efetuado furtos a ourivesarias de várias localidades, que renderam quase 900 mil euros, foi hoje anunciado.

Num comunicado publicado no ‘site’ do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional de Évora, o MP indica que os nove arguidos estão acusados de associação criminosa, furto qualificado, recetação, branqueamento, detenção de arma proibida e fraude fiscal.

“Em causa está a atuação de um grupo altamente organizado que se dedicou durante cerca de oito anos consecutivos a furtos a ourivesarias, localizadas de Norte a Sul do país, obtendo uma vantagem patrimonial de, pelo menos, 879.568,33 euros”, refere.

Contactada pela agência Lusa, uma fonte policial revelou hoje que seis dos arguidos, concretamente duas mulheres e quatro homens, com idades entre os 30 e os 68 anos, foram detidos pela PSP no dia 28 de outubro de 2025.

Três deles foram intercetados e detidos pela Polícia às 03:25 daquele dia na Ponte 25 de Abril, em Lisboa, depois de terem assaltado uma ourivesaria na Charneca da Caparica, em Almada, no distrito de Setúbal.

Os restantes foram detidos cerca das 07:30 do mesmo dia nos concelhos do Seixal, distrito de Setúbal, Sintra e Sacavém, no de Lisboa, através do cumprimento de mandados de detenção fora de flagrante delito.

No comunicado, o MP refere que “o grupo funcionava de forma estruturada, com distribuição de funções entre os arguidos integrantes e sob liderança de um deles”, o qual terá criado “a organização e desenvolvia meticulosamente o plano de atuação dos assaltos”.

Descrevendo o ‘modus operandi’ do grupo, o MP relata que era feito “sempre um estudo prévio muito cuidado às ourivesarias”, algumas vezes com “um drone para filmar toda a zona envolvente”, e até se deslocavam ao local para “conhecer as rotinas dos proprietários e funcionários”.

Os alegados criminosos, prossegue, entravam “através do arrombamento de paredes ou tetos que dessem acesso direto às casas de banho das lojas escolhidas ou ao local onde se encontravam os cofres-fortes” para não serem detetados pelos sistemas de videovigilância.

E arrombavam os “cofres-fortes utilizando um maçarico de acetileno e oxigénio comprimido”, acrescentou.

De acordo com o MP, as peças em ouro, prata e relógios furtadas eram depois escoadas para fundição através de dois dos arguidos, também membros do grupo, que exploram uma loja de antiguidades e de ourivesaria.

No decurso do inquérito, iniciado em 29 de junho de 2025, foram apreendidos saldos bancários, dinheiro, automóveis e peças em ouro, prata e relógios, no montante total de 82.166,15 euros, cuja perda direta a favor do Estado foi requerida.

Foi também pedida a condenação de todos os arguidos no pagamento ao Estado de um total de 797.402,18 euros, que corresponde à vantagem patrimonial obtida com a prática dos crimes de associação criminosa, furto qualificado e recetação.

O MP requereu ainda a conversão da apreensão de alguns objetos em arresto e arrestados outros saldos bancários, automóveis e imóvel, no valor total de 731.974,10 euros, o que acabou por ser determinado pela juíza de instrução.

Dois dos arguidos estão em prisão preventiva e outros dois em prisão domiciliária com vigilância eletrónica, desde outubro de 2025. Três outros estão em liberdade sujeitos a apresentação periódica trissemanal junto de esquadra policial.

Um oitavo arguido está proibido de contactar com os outros e com as vítimas já conhecidas e a identificar.

Agora, decorre o prazo para a apresentação do requerimento com vista à abertura de instrução, fase que, a não ser requerida, determinará a remessa do processo para julgamento comum, com intervenção do tribunal coletivo.

O inquérito foi dirigido DIAP Regional de Évora com a coadjuvação da PSP.

No dia em que foram detidos seis dos arguidos, a PSP indicou que eram suspeitos de terem cometido furtos a ourivesarias em Almodôvar, Beja, Braga, Chamusca, Charneca da Caparica, Entroncamento, Évora, Mira e Portimão.

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