O tráfego ferroviário de e para Sines deverá entrar numa nova fase nos próximos meses, com a abertura da nova ligação entre Évora e Espanha e com a possibilidade de avançar um novo traçado ferroviário entre Sines e Lisboa.
Segundo o jornal ECO, a Infraestruturas de Portugal está a desenvolver um estudo que admite a utilização da futura ligação para tráfego misto, ou seja, mercadorias e passageiros.
De acordo com o Ministério das Infraestruturas e Habitação, citado pelo ECO/Local Online, o estudo em curso “prevê a utilização de tráfego misto” e decorre no âmbito do Plano Ferroviário Nacional, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 77/2025, de 16 de abril.
O objetivo passa por “aumentar a capacidade de transporte a partir do porto de Sines” e criar “uma redundância à atual Linha de Sines”, indicou o Governo ao jornal ECO. O Plano Ferroviário Nacional estabelece ainda como prioridade a melhoria das ligações ferroviárias às infraestruturas portuárias e aeroportuárias, bem como a integração da ferrovia nas principais cadeias logísticas nacionais e internacionais.
Atual Linha de Sines não deverá recuperar passageiros
Apesar do estudo para uma nova ligação ferroviária poder incluir comboios de passageiros, o Governo não prevê reativar esse serviço na atual Linha de Sines. “Não se prevê a reativação do serviço de passageiros na atual Linha de Sines”, afirmou o Ministério tutelado por Miguel Pinto Luz ao ECO/Local Online.
A atual linha ferroviária de Sines completa, em setembro, 90 anos desde a inauguração. O serviço de passageiros foi desativado em 1990, numa decisão que afetou várias ligações ferroviárias em Portugal durante essa década. Desde então, a infraestrutura tem estado sobretudo orientada para o transporte de mercadorias, em particular para a ligação ao Porto de Sines.
A eventual reativação de passageiros na linha existente implicaria obras adicionais, nomeadamente nos quilómetros finais de chegada à cidade de Sines, onde o traçado foi alterado no âmbito da aposta na ligação ao porto.
Autarquia de Sines defende regresso do comboio de passageiros
O presidente da Câmara Municipal de Sines, Álvaro Beijinha, tem defendido a reposição do transporte ferroviário de passageiros no concelho. Em entrevista ao ECO/Local Online, em maio, o autarca recordou que Sines teve comboio de passageiros até 1990 e criticou a ausência desse serviço numa zona que concentra infraestruturas estratégicas para o país.
“Sines, até 1990, tinha comboio de passageiros. Perdeu-o. Passados 36 anos, continuamos a não ter comboio de passageiros. A linha estava ali, desativaram-na e retiraram-na no troço mais junto a Sines. Como é que se desinveste num local que tem as infraestruturas mais importantes para o país”, afirmou Álvaro Beijinha ao ECO/Local Online.
O autarca relaciona a falta de transporte ferroviário de passageiros com a pressão habitacional no concelho. Num contexto de escassez de habitação e de aumento dos preços em Sines, Álvaro Beijinha defende que uma ligação ferroviária mais rápida à margem sul poderia permitir que mais trabalhadores vivessem fora do concelho.
“Se tivéssemos aqui uma linha ferroviária de passageiros, com uma ligação relativamente célere à margem sul, as pessoas não precisavam de viver aqui”, afirmou o presidente da Câmara de Sines.
Ligação Évora-Espanha deverá abrir no início de 2027
Além do estudo para uma nova ligação ferroviária entre Sines e Lisboa, está também em preparação a entrada em funcionamento da nova linha entre Évora e Espanha. Segundo o Ministério das Infraestruturas e Habitação, citado pelo ECO, a inauguração deverá ocorrer “no início de 2027”.
O Governo indicou que estão em curso “os testes e ensaios prévios à entrada em exploração da nova ligação ferroviária”, no âmbito do processo faseado de certificação da infraestrutura.
Esta nova ligação deverá reduzir em cerca de três horas e meia o tempo de transporte ferroviário de mercadorias entre Sines e Madrid, face ao atual percurso que obriga os comboios a seguirem pelo Entroncamento e pela Linha do Leste.
Porto de Sines espera ganhos de competitividade
Pedro do Ó Ramos, presidente da Administração dos Portos de Sines e do Algarve, explicou ao ECO/Local Online que a atual solução obriga os comboios a fazerem um percurso mais longo. “Temos que ir ao Entroncamento, para depois descer. Não faz sentido”, afirmou.
O responsável destacou ainda que a nova ligação permitirá passar de comboios com 400 metros para composições de 750 metros, além de reduzir pendentes no trajeto ferroviário. Para o Porto de Sines, a diminuição do tempo de viagem até Madrid representa uma vantagem logística.
“O frete fica muito mais barato, porque é pago ao quilómetro. É uma competitividade totalmente diferente”, afirmou Pedro do Ó Ramos ao ECO/Local Online.
A infraestrutura ferroviária assume particular importância para o Porto de Sines, de onde chegam a sair diariamente cerca de duas dezenas de comboios com contentores.



















