O Alentejo está entre as regiões de Portugal onde a proporção de pessoas que recorreram a consultas de medicina geral e familiar ultrapassa a média nacional, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) no relatório “Acesso a Cuidados de Saúde – 2025”.
De acordo com o documento, 79,5% da população residente em Portugal com 16 ou mais anos referiu ter consultado um médico de clínica geral ou de medicina geral e familiar nos 12 meses anteriores à entrevista. A percentagem é superior à registada em 2022 (75,5%) e ligeiramente inferior à observada em 2017 (81,3%).
Os dados indicam ainda que o recurso a este tipo de consulta foi mais elevado em algumas regiões do país, entre as quais o Norte, o Alentejo e o Oeste e Vale do Tejo, onde a proporção de pessoas que procuraram cuidados de medicina geral e familiar superou a média nacional.
Maioria da população teve contacto com cuidados médicos
O relatório mostra que a maioria da população recorreu a algum tipo de consulta médica em 2025.
Além das consultas de medicina geral e familiar, 59,6% das pessoas referiram ter tido pelo menos uma consulta de medicina dentária e 53,3% consultaram um médico especialista no mesmo período.
As mulheres recorreram mais frequentemente a consultas médicas do que os homens. No caso da medicina geral e familiar, 84,1% das mulheres indicaram ter tido pelo menos uma consulta no último ano, enquanto entre os homens essa proporção foi de 74,5%.
Acesso a cuidados dentários continua condicionado por fatores económicos
Apesar da utilização dos serviços de saúde, o relatório identifica situações em que as necessidades de cuidados médicos ou dentários não foram satisfeitas.
Em 2025, cerca de 3,8% da população indicou ter necessitado de exames ou tratamentos médicos que não chegaram a ser realizados. No caso dos cuidados dentários, essa proporção foi de 10,2%.
O principal motivo apontado para a não realização de exames ou tratamentos médicos foram as listas de espera, enquanto no caso dos cuidados dentários a razão mais referida foi a falta de disponibilidade financeira.
Encargos com saúde considerados pesados por muitas famílias
O estudo revela também que os custos associados aos cuidados de saúde continuam a ser um fator relevante para muitas famílias.
Em 2025, 47,2% dos agregados familiares avaliaram os encargos com cuidados dentários como algo pesados ou muito pesados. A proporção foi de 45,7% no caso dos medicamentos e de 39,3% para cuidados médicos.
A avaliação negativa do peso destes encargos é mais frequente entre agregados familiares em risco de pobreza e entre famílias com pessoas idosas.
O relatório do INE baseia-se no Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR), realizado entre abril e julho de 2025 através de entrevistas presenciais e telefónicas a residentes com 16 ou mais anos.



















