“Não podemos resolver em 2 meses, o que não foi resolvido em 20 anos”, diz Ministra da Cultura sobre precariedade do sector (c/som e fotos)

Protesto sector da cultura
Foto Arquivo

A Ministra da Cultura, Graça Fonseca, foi este sábado (7 de Junho) recebida em Évora com uma manifestação de trabalhadores do sector cultural.

Logo à chegada ao Teatro Garcia de Resende, em Évora, foram os Grupos de Forcados, do Sector Tauromáquico, que reivindicaram a retoma da actividade. Os Forcados tentaram entregar um Barrete de Forcado à Ministra, tendo esta recusado.

Já à saída do Teatro, eram cerca de uma centena de trabalhadores de outras áreas da cultura, que levantaram cartazes, reivindicando assim mais apoios para o sector cultural, este que foi um dos mais afectados com a chegada da Pandemia da Covid-19.

Em declarações à imprensa, Graça Fonseca, comentou estas manifestações afirmando que “as manifestações fazem parte felizmente da democracia, portanto acho que é importante que existam na perspectiva de chamar à atenção das pessoas para o valor que a cultura tem nas nossas vidas, eu acho que essa dimensão é muito relevante.”

Sobre as medidas pedidas para o sector, a Governante referiu que “as medidas podem nunca ser suficientes, mas aquilo que temos lutado, e é o que está em discussão no orçamento suplementar, que já foi anunciado pelo Senhor Primeiro-Ministro, é por um lado um apoio à adaptação dos espaços, porque necessitam de comprar equipamentos de protecção individual, há investimentos que os equipamentos têm que fazer e, portanto, esse é um dos objectivos e era uma das reivindicações do sector, terem uma linha especifica para os equipamentos culturais poderem fazer face a essas despesas.”

Por outro lado Graça Fonseca falou da “linha de 3 milhões de euros, dirigida aos equipamentos culturais independentes, porque o governo reconhece que o encerramento de 3 meses e agora com limitações na ordem dos 50% de acesso do publico, é claro que estamos a falar de quebra de receitas e de bilheteiras e o objectivo é precisamente apoiar os equipamentos culturais nestes dois momentos.”

Já sobre os profissionais do sector a Governante com a tutela da Cultura, referiu que “a grande maioria dos profissionais da cultura receberam o apoio dos trabalhadores independentes pelo patamar mínimo, 219 euros e isto é um apoio adicional que lhes permite precisamente atingir aquele valor que é o tal rendimento mínimo garantido, o tal valor de 1.317 que o senhor primeiro ministro anunciou e é um apoio adicional às pessoas”, acrescentando que esta pandemia colocou “mais visível a situação, já de si difícil e precária, de muitos dos profissionais do sector da cultura, que é algo que existe há mais de 20 anos.”

Sobre a precariedade dos profissionais da cultura, Graça Fonseca afirmou que “nós não podemos resolver em 2 meses, o que não foi resolvido em 20 anos, mas estamos a trabalhar e temos o compromisso de ao longo deste ano resolver as questões laborais das carreiras contributivas, descontos etc”, terminando dizendo que “o facto de grande maioria dos profissionais só ter recebido 219, é um reflexo de carreiras e questões laborais e contributivas que não foram resolvidas durante muitos anos”.