“Não há nenhuma placa que impeça a circulação das pessoas, desde que o façam com respeito”, refere dona de quinta na Serra D’Ossa

Caminhavam pela Serra D’Ossa e foram, alegadamente, agredidos por proprietários de terreno

No passado fim-de-semana vieram a público alguns relatos, por parte de alguns elementos da Associação Terra D’Ossa, que ao caminharem pela Serra D’Ossa teriam alegadamente sido agredidos pelos proprietários da Quinta Monte Virgem.

ODigital.pt foi ouvir os proprietários desta quinta localizada no coração da Serra D’Ossa, um local muito utilizado para caminhadas e onde existe uma grande biodiversidade.

Maria do Carmo Piçarra começa por explicar toda a situação, dizendo que “o que aconteceu foi, no sábado à tarde, estava eu sozinha com a minha cadela na rua, passaram cinco pessoas, que não se identificaram como sendo de qualquer associação e uma dessas pessoas levava louro e eu informei-a que era uma propriedade privada e que a recolha de plantas era sujeita a um pedido de autorização.”

Essa pessoa, depois de várias afirmações e questionamentos, disse-me para que por a propriedade no (…) e outra pessoa que a acompanhava disse para eu ir para casa porque a casa é que era o meu lugar”, acrescentou a proprietária, referindo ainda que “nunca, em nenhum momento, disse às pessoas que elas não poderiam passar por aqui, também em nenhum momento as pessoas se identificaram como sendo uma associação, o que seria normal, sobretudo, quando eu lhe disse que era uma propriedade privada.”

Mais tarde, Maria do Carmo explica ainda que “o meu marido ficou ciente daquilo que se passou, o meu marido que até uma pessoa muitíssimo calma e, quis ir conversar porque pretendia que ele fizesse um pedido de desculpas pela maneira como ele se dirigiu a mim, nós de facto deslocamos de carro, sempre dentro da nossa quinta e não na direção à aldeia como foi relatado, portanto, tudo se passou sempre dentro da quinta do Monte Virgem e o meu marido disse ao senhor que queria conversar com ele, mas esse senhor virou-lhe as costas e disse que não queria dialogar com ele. Entretanto o meu marido, colocou-lhe de facto uma mão nas costas para tentar à fala com ele e pura e simplesmente virou-se em minha direção numa maneira que julgamos ameaçadora e na verdade o que aconteceu foi alguns encontrões, mas não apertei pescoços a ninguém e não dei estalos a ninguém.” Após esta situação, “esse senhor disse que ia para as redes sociais relatar os acontecimentos, claro que não disse que ia contar uma versão mentirosa dos acontecimentos e termina a dizer que nos ia acontecer um acidente.”

Maria do Carmo Piçarra garante que “só quando vimos essas publicações no Facebook é que tivemos conhecimento que existia uma associação, porque a única associação que nós conhecemos aqui na zona, é a associação que organiza o Trail do Texugo e que funciona muito corretamente”.

Questionada se este caminho é utilizado regulamente por pessoas, a proprietária salienta que “sobretudo nestes tempos de pandemia, nós notamos um aumento da utilização deste caminho, mas em geral nunca as pessoas que passam a pé na quinta foram impedidas de circular neste caminho, os ciclistas passam aqui regularmente e nunca têm problemas.”

Com a vinda desta situação a público, houve outros relatos de situações alegadamente semelhantes, sendo que Maria do Carmo Piçarra explica que “há pelo menos um senhor, que no âmbito desta campanha de ódio, que estava dizer que nós o tínhamos tentado impedir de circular, porque este senhor é um daqueles senhores que vem fazer motocross e passa a menos de 20 metros da casa, a velocidade vertiginosas, e a dada altura tínhamos crianças e temos uma cadela e eu acho que é normal que um proprietário de um sitio se sinta ameaçado quando as motas passam aqui a altas velocidades, além disso quando é preciso fazer a manutenção dos caminhos somos nós que temos de fazer, não são esses senhores, como nós somos também responsáveis pela limpeza de matos e florestas.”

Sobre a utilização do caminho, Maria do Carmo deixa claro que pode ser utilizado mas  com “as regras que o bom senso recomenda e de boa vizinhança, por exemplo,  já chegaram a ser organizadas à nossa revelia provas desportivas com mais de 100 jipes e naturalmente isso para nós não é aceitável sem nos pedirem autorização.”

Na publicação feita anteriormente, é referido que este caminho está descrito nas cartas militares, sendo que sobre este aspeto a proprietária diz não conhecer as cartas militares, “o que posso dizer é que o caminho não tem portão fechado e recentemente tivemos o cuidado de colocar, em diferentes sítios onde abrirmos aceiros, algumas placas a dizer “proibida a passagem – propriedade privada”, precisamente porque são caminhos que nós julgamos que não são caminhos para circular dentro da quinta e reservamos o direito de que eles não sejam devassados, porque se formos ver, mesmo no caminho que estes senhor estavam a usar, ainda hoje fui lá havia beatas de cigarros, há garrafas de água que são atirados, e coisas assim.”

Questionada se iriam apresentar avançar com algum tipo de ação judicial contra a referida Associação, Maria do Carmo Piçarra revela que “já foi feita uma queixa nas autoridades relativamente a agressões verbais, injurias, difamação e também esta questão de incitação a crimes de ódio e cyberbulling”.

A proprietária conclui afirmando que “não há nenhuma placa que impeça a circulação das pessoas, desde que o façam com respeito”.