A Coudelaria de Alter, uma das mais antigas coudelarias do mundo ainda em funcionamento no mesmo local, continua a afirmar-se como um centro de excelência na criação e preservação do cavalo lusitano. O presidente da Companhia das Lezírias, Eduardo Oliveira e Sousa, destacou a importância deste espaço, que alia tradição, conhecimento e turismo, garantindo a perpetuação do património genético e cultural da raça.
A Coudelaria de Alter, fundada em 1748, resistiu a diversos momentos históricos, desde as invasões napoleónicas à queda da monarquia, passando pelas guerras mundiais e pelos diferentes regimes políticos que marcaram o país. Hoje, mantém-se como um polo de referência na criação do cavalo lusitano e na investigação genética, adaptando-se às exigências da contemporaneidade sem perder a sua identidade.
Para Eduardo Oliveira e Sousa, a Coudelaria tem um papel essencial na preservação do cavalo lusitano, sendo um espaço único onde os visitantes podem testemunhar, de forma autêntica, o trabalho diário na criação e aperfeiçoamento desta raça. «Isto não é criar espetáculo. Isto não é um circo. Isto é um sítio onde as pessoas vêm ver como é que se trabalha quando se fala em cavalos lusitanos, quando se fala em coudelarias do Estado», sublinhou.
Turismo e Património: Uma Nova Dinâmica
Nos últimos anos, a Companhia das Lezírias tem reforçado a vertente turística da Coudelaria, valorizando a experiência dos visitantes e consolidando parcerias que garantam a sustentabilidade do projeto. A ligação ao hotel Vila Galé Alter Real é um dos exemplos desse compromisso, permitindo que hóspedes possam vivenciar o dia a dia da coudelaria, assistir ao maneio dos animais e acompanhar o trabalho dos tratadores e criadores.
«Hoje, com uma valência do turismo mais forte, é possível trazer outro espírito de economia a esta realidade para que não se perca, de maneira nenhuma, o sangue que os cavalos lusitanos têm aqui neste património», afirmou Oliveira e Sousa. A recente classificação da Arte Equestre Portuguesa como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO reforça a relevância do trabalho desenvolvido na Coudelaria de Alter, não apenas na vertente criadora, mas também na transmissão deste conhecimento às novas gerações.
A Companhia das Lezírias tem procurado expandir essa missão, apostando na formação e na investigação genética. A colaboração com a Universidade de Évora e a revitalização do laboratório de genética molecular são algumas das iniciativas em curso, permitindo o desenvolvimento de técnicas avançadas, como a inseminação artificial e a recolha de sémen, que poderão também ser disponibilizadas como serviço externo.
O Futuro da Coudelaria de Alter
Além da preservação da raça, a Companhia das Lezírias pretende reforçar a componente educativa e formativa da Coudelaria. A parceria com a Escola Profissional da Coudelaria de Alter é vista como um investimento essencial, preparando jovens para carreiras ligadas ao setor equestre. «Temos que apostar no futuro para aqueles jovens que gostam da formação equina, que gostam dos cavalos, que gostam do campo e que querem fazer a sua vida profissional ligada aos cavalos», destacou Oliveira e Sousa.
Com uma história de mais de dois séculos e meio, a Coudelaria de Alter continua a ser um símbolo da tradição equestre portuguesa, ao mesmo tempo que se adapta às novas exigências do setor. A aposta no turismo, na investigação e na formação garantem a preservação deste património vivo, mantendo Portugal na vanguarda da criação do cavalo lusitano.



















































































