O Museu Etnográfico de Serpa reabre hoje ao público depois de seis anos de “uma profunda intervenção” no edifício e de um “longo trabalho” de museografia, no valor de 1,5 milhões de euros, revelou a câmara.
O edifício, o antigo mercado municipal, encerrou em 2019 para obras de melhoria das instalações, tendo sido identificadas “diversas patologias” que tiveram de ser corrigidas, nomeadamente ao nível da acessibilidade, conforto e eficiência energética, segundo a Câmara de Serpa, no distrito de Beja.
A empreitada, que permitiu preservar a “função pública” e o valor patrimonial” do edifício, envolveu um investimento de cerca de 1,5 milhões de euros, cofinanciado em mais de 789 mil euros pelo programa operacional regional Alentejo 2030.
Estas reparações, destacou hoje à agência Lusa o presidente do município, João Efigénio, possibilitam a comodidade dos visitantes, mas, sobretudo, permitem conservar as peças que estão patentes no museu.
“Nós temos aqui muitas peças em madeira e sabemos que, com o nosso clima, com o calor e a humidade, ficam sujeitas a muitas alterações. Então, houve também um trabalho muito grande de criar condições de climatização e de manutenção da temperatura interior de forma a preservá-las”, adiantou.
O museu, datado de 1987, reabre hoje ao público e disponibiliza dois pisos com salas de exposições permanentes, compostas por “artefactos e mobílias diversas relacionadas com os ofícios de albardeiro, abegão, alfaiate, barbeiro, cadeireiro, carpinteiro, cesteiro, ferrador, ferreiro, latoeiro, oleiro, roupeiro e sapateiro”.
Para João Efigénio, este tipo de museus adquire uma grande importância devido à sua “dimensão humana”, já que “os pais vêm com os filhos, ou os avós com os netos, para mostrarem aquilo que eram e o que é que se fazia antigamente”.
O edifício detém ainda uma sala de exposições temporárias e uma sala com produtos de ‘merchandising’ criados exclusivamente para o museu pelo designer que concebeu a nova estrutura.
Uma das grandes novidades do espaço são os “registos de sons e de imagens em movimento” disponibilizados em algumas salas e que permitem “envolver as pessoas” na experiência cultural.
Além dos tradicionais guias de visita que dão a conhecer a história do museu, das peças e da cidade de Serpa, o acervo municipal passará a disponibilizar também códigos ‘QR’, o que possibilitará que os visitantes os guardem e vejam “em qualquer sítio” e “em qualquer altura”.
“Ainda ontem enviei um ‘QR’ aos meus filhos e eles abriram-no em Lisboa e em Paris”, gracejou o presidente.
A sessão de inauguração do Museu Etnográfico de Serpa está agendada para as 16:30.


















