Centenas de desenhos, pinturas, fotografias e documentação da artista plástica Estrela Faria foram doadas ao Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo (MNFMC), em Évora, sua cidade natal, que as quer dar a conhecer.
“É, sem dúvida alguma, um grande ganho para o museu, que não tinha nenhuma peça de Estrela Faria e passou agora a ter muitas”, congratulou-se hoje a diretora do MNFMC, Sandra Leandro, em declarações à agência Lusa.
Estrela Faria, nome da segunda geração do Modernismo português, era natural de Évora, onde nasceu em 1910, e morreu em Lisboa, em 1976.
O espólio constituído por centenas de peças de Estrela Faria foi formalmente doado ao MNFMC, na segunda-feira, por Sylvia Alves Soares, sobrinha da artista.
Além da doação, esta familiar fez também depósito de nove peças, a que se juntou ainda a entrega de cinco peças de José Eduardo de Moura Neves e de João Paulo de Moura Neves, sobrinhos-netos da pintora.
Nas declarações à Lusa, a diretora do museu indicou que, entre as centenas de peças doadas, se encontram, sobretudo, desenhos a carvão, pinturas em aguarela, fotografias, catálogos da época, cartas e diversa documentação.
“Temos muitos desenhos da fase em que ela era ainda aluna na Escola de Belas-Artes de Lisboa e também desenhos que fez em Paris, nos vários ateliês por onde passou”, destacou.
O espólio agora à guarda do museu alentejano também inclui duas pinturas a óleo da artista, uma que faz parte da doação e a outra que pertence ao conjunto que ficou em depósito.
Sandra Leandro adiantou que, entre a documentação doada, se encontram os projetos referentes aos painéis de azulejos que a artista concebeu para a sala principal do Tribunal Judicial de Évora.
A documentação que integra este conjunto de peças “é vital para continuarmos a saber mais sobre a vida desta artista plástica absolutamente excecional”, observou.
Assinalando que esta doação implicou “um ano e alguns meses de trabalho para a elaboração do inventário sumário”, a diretora do museu revelou que os técnicos vão agora avançar com “a inventariação mais detalhada” de todas as peças e o seu estudo.
“Já estamos a trabalhar para termos um espaço em que algumas destas obras possam ser vistas, uma vez que é uma artista com um talento reconhecido e é um dos grandes nomes modernismo português”, acrescentou.
Estrela Faria fez a sua formação inicial na Escola Industrial e Comercial Gabriel Pereira, em Évora, frequentou depois a Escola de Belas-Artes de Lisboa, onde concluiu o curso de pintura, tendo sido discípula de Veloso Salgado.
Na sua formação destacam-se a estadia em Paris, como bolseira do antigo Instituto de Alta Cultura, e a sua passagem por várias cidades da Europa.
O seu percurso artístico inclui ainda trabalhos no Brasil e em Moçambique, nomeadamente na cidade de Lourenço Marques, atual Maputo.
Lecionou na Escola Artística António Arroio e na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e participou em exposições coletivas como a 25.ª Bienal de Veneza e as primeiras edições da Bienal de S. Paulo, entre outras mostras internacionais.
A sua participação na Exposição Internacional de Paris (1937), numa mostra coletiva de pintura contemporânea, foi distinguida com a Medalha de Ouro. Em 1945, recebeu o Prémio Columbano.
A sua obra encontra-se igualmente representada em coleções como as do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian e o Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado.
Os painéis do Museu de Arte Popular e da escadaria do antigo Cinema Alvalade, em Lisboa – uma alegoria ao cinema que pôde ser recuperada e manter-se no novo edifício -, estão entre as suas obras mais conhecidas.



















