Os municípios de Viana do Alentejo, Reguengos de Monsaraz, Estremoz e Cartaxo, juntamente com a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, assinaram esta sexta-feira, em Alcáçovas, um Memorando para a Salvaguarda e Promoção Económica do Fabrico de Chocalhos.
O documento estabelece um compromisso conjunto para desenvolver ações de preservação, valorização e divulgação desta atividade artesanal, inscrita desde 2015 na Lista do Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, o presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo, Luís Metrogos, explicou que o memorando procura reforçar o trabalho realizado em torno do fabrico de chocalhos, quase 11 anos depois da classificação da UNESCO.
“O memorando pretende, ao fim de 10 ou 11 anos, voltar a reforçar o compromisso que temos com a arte chocalheira e com o fabrico do chocalho, para que a arte não se perca”, afirmou o autarca.
Documento prevê plano anual de atividades
O memorando servirá de base à elaboração de um Plano de Atividades Anual, que deverá ser apresentado até dezembro de cada ano e identificar as iniciativas a desenvolver pelas entidades envolvidas.
Entre os objetivos definidos estão a criação de políticas públicas de valorização patrimonial e económica do fabrico de chocalhos, a realização de ações de educação e sensibilização e a promoção de práticas associadas à sustentabilidade.
O documento prevê ainda iniciativas de valorização das raças autóctones, da paisagem pastoril, dos pastores e de produtos ligados a este ecossistema, como o queijo e a lã, reconhecendo a relação entre o fabrico de chocalhos e a atividade rural.
Luís Metrogos considera que a assinatura permite criar uma resposta conjunta entre territórios que partilham esta tradição. O compromisso envolve, além de Viana do Alentejo, os municípios de Reguengos de Monsaraz, Estremoz e Cartaxo, contando também com a participação da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.
Memorando liga Feira do Chocalho ao Festival Ressoar
Segundo o presidente da Câmara, o memorando funciona também como elemento de ligação entre a Feira do Chocalho e o Festival Ressoar, realizado nas três freguesias do concelho de Viana do Alentejo.
“O memorando é aquilo que une, de certa forma, o Festival Ressoar e a Feira do Chocalho”, explicou Luís Metrogos, defendendo que o certame deve ultrapassar a sua dimensão de convívio e assumir uma função de divulgação do património.
Para o autarca, a Feira do Chocalho “tem que ser mais” do que um evento capaz de atrair visitantes, devendo funcionar como “a nossa montra para o chocalho” e contribuir para tornar mais visível a classificação atribuída pela UNESCO.
Luís Metrogos considera que essa projeção poderá ajudar a atrair mais visitantes, promover o território e reforçar a consciência sobre a necessidade de proteger este saber artesanal.
Continuidade da arte continua a preocupar o município
A situação atual do fabrico de chocalhos foi também abordada pelo presidente da Câmara, que reconheceu existirem motivos de preocupação devido ao número reduzido de estruturas que continuam a exercer esta atividade no concelho.
Apesar desse cenário, Luís Metrogos deixou uma mensagem de confiança na continuidade do ofício. “Enquanto existirem alguns chocalheiros que consigam fabricar os nossos chocalhos, a esperança não está perdida e a arte poderá continuar”, afirmou.
O memorando terá uma duração inicial de cinco anos e poderá ser renovado por períodos iguais. Durante esse prazo, as entidades comprometem-se a desenvolver iniciativas conjuntas que contribuam para a preservação do fabrico de chocalhos e para o reforço do seu valor cultural, social e económico.



























