Os municípios de Mourão e Moura intensificaram as suas reivindicações junto do Governo para garantir a realização de intervenções estruturais nas pontes construídas aquando do enchimento da barragem de Alqueva. Algumas infraestruturas, que apresentam patologias identificadas em estudos técnicos, necessitam de obras corretivas, apesar de, segundo os relatórios, não representarem um risco imediato para a segurança rodoviária.
O presidente da Câmara Municipal de Mourão, João Fortes, explicou que a principal preocupação recai sobre a Ponte da “Ribeira do Alcarrache”, que liga os concelhos Mourão a Moura. «Já antes de assumir funções tinha conhecimento das patologias da ponte, identificadas num relatório de 2021. Esse documento refere que não existe risco iminente, mas alerta para a necessidade de monitorização constante», afirmou. Entre os problemas destacados está a existência de fissuras no talude da ponte, atribuídas à má execução da obra.
Em conjunto com o município de Moura, a autarquia de Mourão tem realizado diversas diligências para compreender o impacto do tráfego rodoviário pesado na estrutura, sobretudo durante o período de colheita da azeitona. João Fortes revelou que foram implementadas medidas de mitigação, como a definição de um limite de velocidade de 60 km/h, mas reconheceu que o cumprimento desta regra depende do comportamento dos condutores.
Ainda assim, os dois municípios continuam insatisfeitos com a falta de ações concretas por parte da EDIA. «Até hoje, a EDIA nunca nos transferiu oficialmente a gestão da ponte, nem realizou as intervenções necessárias. Trata-se de uma obra de arte, com engenharia específica, e não de uma simples estrada. Esta falta de transferência também dificulta a assunção de responsabilidades por parte dos municípios», reforçou João Fortes.
Numa reunião com o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, foi debatida a titularidade da ponte e a necessidade urgente de intervenções. «O próprio ministro entrou em contacto com o ministro da Agricultura, que tutela a EDIA, para clarificar de quem é, afinal, a responsabilidade da ponte. Se for da EDIA, exigimos que a entidade avance com as obras de correção e transfira a gestão para os municípios. Se, por outro lado, a ponte for atribuída aos municípios, será necessário criar uma linha de financiamento que permita executar as obras sem comprometer os limites de endividamento municipal», explicou o presidente de Mourão.
Além da Ponte da “Ribeira do Alcarrache”, os municípios alertaram para problemas semelhantes na Ponte da Meada, situada na freguesia da Granja, no concelho de Mourão. Esta segunda ponte, igualmente construída pela EDIA, apresenta deficiências no pavimento. «Ao resolvermos a questão da Ponte da “Ribeira do Alcarrache”, automaticamente conseguimos tratar da Ponte da Meada, pois ambas foram executadas pela mesma entidade e enfrentam problemas semelhantes», esclareceu o autarca.
Apesar de não existir um risco imediato identificado, João Fortes sublinhou a importância de agir preventivamente. «Não é algo que possamos tratar com ligeireza. Já vimos situações noutros pontos do país onde tragédias ocorreram devido à falta de manutenção preventiva. Temos de garantir que estas infraestruturas continuam seguras e funcionais para o futuro», alertou.
Os municípios aguardam agora por respostas concretas da EDIA e do Governo, enquanto continuam a acompanhar de perto a evolução da situação. «Estamos comprometidos em assegurar que as obras necessárias são realizadas e que as pontes sejam mantidas nas condições exigidas para a segurança dos utilizadores», concluiu João Fortes.


















