Movimento quer legalizar a produção e consumo de cannabis e lança campanha de crowdfunding

Canábis

Um movimento social online para a criação de legislação que permita a legalização de produção e consumo de canábis em Portugal arrancou esta semana, a nível nacional e internacional, com a inauguração de uma campanha de crowdfunding na plataforma PPL.PT/canabis.

A iniciativa, liderada pelo empresário e produtor agrícola António Alves Miguel, tem, como primeiro objectivo, angariar 175.000 €, quantia considerada necessária para as diversas acções tendo em vista o fim referido. 

De acordo com o promotor, à campanha de crowdfunding seguem-se os estudos e elaboração de documentos que fundamentam a proposta legislativa à Assembleia da República (AR), assim como campanhas de esclarecimento e sensibilização, colóquios e conferências, etc.

Na plataforma online, apresentam-se os orçamentos discriminados das despesas previstas, que serão todas auditadas e avalizadas por um TOC/ROC oficial.

Lembrando que Portugal tem das melhores condições a nível europeu para produção de canábis – solo, clima, água e  knowhow. – o movimento afirma que o País corre o risco de perder uma oportunidade única a nível mundial dado que esta agro-indústria pode representar um encaixe económico relevante e gerar emprego e atingir, por exemplo, na sua plenitude, valores semelhantes à faturação de duas Auto-Europas em plena produção.

A campanha de crowdfunding dedica especial atenção à complementaridade de todas as atividades, desde o controlo na produção, à embalagem e consumo, como única forma de rentabilizar sustentadamente a produção de canábis.   

A futura proposta de lei, parte da convicção de que o não aproveitamento dos subprodutos desta produção agrícola ( atualmente apenas para utilização medicinal ) são a principal causa da grande perda na cadeia de valor da cultura agrícola. 

O movimento deseja apresentar no Parlamento uma solução equilibrada, com enquadramento legal das multiplicidades de uso que canábis contém, consubstanciada e credível para a sua produção e comercialização.

Partindo de uma produção agrícola sustentável, a legislação que este movimento deseja levar a cabo baseia-se em quatro vectores: indústria têxtil (já presente em diversos automóveis); canábis medicinal (que se vende nas farmácias); canábis para fins terapêuticos (CBD, que se vende em lojas); e canábis para efeitos recreativos (com 5% de THC, quando hoje em dia se vende clandestinamente nas ruas produtos manuseados com 18 e 20% de THC).

A legislação que este movimento deseja ver aprovada segue as últimas decisões da União Europeia e vai no mesmo sentido das leis americanas e canadianas.