O projeto Lancheiras Saudáveis, desenvolvido pelo Município de Mourão nas escolas do concelho, chegou à 4.ª edição e envolveu, entre janeiro e junho de 2026, 174 crianças do Jardim de Infância e do 1.º Ciclo do Ensino Básico, num total de 57 sessões.
A iniciativa, dinamizada pela nutricionista da autarquia, Inês Cardoso, tem como objetivo promover hábitos alimentares saudáveis e estimular a literacia alimentar desde a infância.
Segundo a autarquia, o projeto procura ajudar os alunos a construir lanches mais equilibrados, através da descoberta dos grupos alimentares, da exploração de sabores, cores e alimentos, e da identificação de produtos mais saudáveis.
Já em declarações ao jornal ODigital.pt, o presidente da Câmara Municipal de Mourão, João Fortes, explicou que o projeto “já vai no quarto ano” e tem sido desenvolvido pela autarquia em cooperação com o Agrupamento de Escolas.
“O propósito é precisamente garantir que nesta tenra idade, onde normalmente os conteúdos são aprendidos de melhor forma, os nossos jovens entendam que se começa uma boa alimentação desde novo”, explicou o autarca.
Educação alimentar começa nas escolas
João Fortes enquadra o projeto numa lógica de prevenção em saúde, apontando a importância de trabalhar hábitos alimentares numa fase precoce da vida escolar.
O presidente da Câmara referiu que a iniciativa procura contribuir para prevenir problemas associados ao excesso de consumo de sal e açúcar, bem como situações relacionadas com obesidade e diabetes.
“Para ter uma boa alimentação não é preciso um manual de instruções, apenas saber fazer, moderar e fazer com que a alimentação seja equilibrada, muitas vezes com recurso até a produtos endógenos e produtos produzidos com base na dieta mediterrânica”, sublinhou.
No Jardim de Infância, as crianças realizaram seis atividades centradas na exploração sensorial e simbólica dos alimentos, através das cores, sons, cheiros e sabores. As sessões recorreram a jogos, histórias e dinâmicas curtas para estimular a curiosidade alimentar, o reconhecimento de alimentos saudáveis e uma relação positiva com a alimentação.
Já no 1.º Ciclo do Ensino Básico, foram desenvolvidas seis missões no âmbito da Operação Lancheira Saudável, numa sequência progressiva que combinou descoberta, experimentação e reflexão. As atividades incentivaram os alunos a identificar alimentos e grupos alimentares, compreender as suas funções e reconhecer as características de um lanche equilibrado.
Autarquia aponta melhoria nos lanches
De acordo com João Fortes, o projeto tem tido reflexos nos lanches levados pelas crianças para a escola. O autarca afirmou que, face ao início da iniciativa, há hoje uma maior atenção à composição das lancheiras.
“Há uma melhoria considerável daquilo que era o lanche dos meninos trazidos há quatro anos, com batatas fritas, com pastilhas e com coca-colas, para hoje”, afirmou o presidente da Câmara.
O autarca admitiu que continuam a existir exceções, mas defendeu que se verifica “um maior cuidado”, considerando que esse resultado demonstra que o projeto “está a ter o impacto desejado na comunidade”.
A avaliação dos lanches foi feita através de uma caderneta, onde os alunos colecionaram um cromo por cada atividade realizada. No caso do 1.º Ciclo, os alunos receberam também cromos correspondentes à classificação dos lanches.
Segundo a autarquia, a avaliação incidiu sobre os lanches da manhã e da tarde e teve por base critérios relacionados com o número de alimentos saudáveis e a presença de produtos processados. A classificação foi aplicada de forma não comparativa, valorizando a evolução individual dos alunos.
Hábitos chegam também a casa
Uma das dimensões destacadas por João Fortes prende-se com o efeito do projeto fora do espaço escolar. O presidente da Câmara afirmou que, pelo feedback recebido, as crianças têm levado para casa parte da aprendizagem feita nas escolas.
“Os próprios pais entraram no jogo porque sentiram que os filhos os começaram a pressionar para a importância de uma boa alimentação”, referiu.
Segundo o autarca, a dinâmica criada entre os alunos contribuiu para que os encarregados de educação passassem a ter uma maior preocupação com os lanches preparados para a escola.
“As expressões positivas que se têm criado têm originado nos pais a responsabilidade de garantir que os filhos não fiquem para trás nesta tendência da qualidade de vida, que acarreta necessariamente uma alimentação equilibrada, diversificada e saudável”, afirmou João Fortes.
Questionado sobre se essas práticas também passaram para o contexto familiar e para os períodos de férias, o presidente da Câmara disse que o feedback aponta nesse sentido, embora reconheça que não existem dados factuais sobre essa dimensão.
“Não temos dados factuais, mas é empírico. Por aquilo que entendo, os próprios meninos já obrigam os pais a ter que regrar os comportamentos”, afirmou.
No final do ano letivo, a autarquia entregou uma lembrança simbólica a cada criança participante. Este ano, segundo João Fortes, foi atribuído um saco térmico personalizado.
Para o presidente da Câmara, o projeto insere-se numa estratégia municipal mais alargada na área da saúde e bem-estar, que inclui também respostas como terapia da fala, consultas de psicologia gratuitas, atividades desportivas e culturais, e o ginásio municipal com mensalidades acessíveis.
“Para nós, é fundamental que a população tenha saúde, não só física, mas também mental”, concluiu João Fortes.



















