Moura vai ter “primeira” fábrica no mundo a “aliar” painéis solares e baterias

Fábrica moura

A nova fábrica de painéis solares fotovoltaicos flexíveis e de baterias de lítio de alta temperatura que vai “nascer” em Moura (Beja) será “a primeira do mundo” a combinar estas duas tecnologias, destacou hoje a empresa promotora.

Esta vai ser “a primeira fábrica do mundo que tem este ‘blending’ do solar e de baterias” de lítio, com o objetivo de criar “novos produtos híbridos” para vender “para vários sítios”, isto é, tanto para o mercado nacional, como para o estrangeiro, disse hoje Miguel Matias, um dos promotores.

O cofundador e um dos administradores executivos do grupo português Lux Optimeyes Energy, que vai criar a nova unidade nas instalações da antiga Moura Fábrica Solar (MFS), fechada desde janeiro de 2019, salientou que a combinação produtiva das duas tecnologias é inovadora e o caminho do futuro.

“Consideramos que é a maneira certa de usar as renováveis”, porque estas têm que deixar de “ser intermitentes” e isso consegue-se “com a baterias”.

O painel solar com a bateria permite alargar imenso a utilização das renováveis”, afirmou.

Na presença do ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, a Lux Optimeyes Energy assinou hoje com a Câmara de Moura o contrato de arrendamento da MSF) e o memorando de entendimento para a implantação do projeto.

A unidade vai produzir painéis solares fotovoltaicos flexíveis e baterias de lítio de alta temperatura, num investimento inicial de cerca de cinco milhões de euros, com comparticipação comunitária.

Segundo Miguel Matias, que disse esperar que, dentro de aproximadamente um ano, “nasçam” os primeiros produtos produzidos na unidade, a produção não passa por painéis fotovoltaicos convencionais, mas sim uma linha de montagem na área do solar flexível, através de “uma tecnologia especial”.

Trata-se de “um painel flexível que permite aplicações em vários locais a que o painel tradicional não chega”, que é “mais leve e eficiente” e que pode ter diversas configurações, indicou o responsável da empresa, resultante da junção entre o grupo português Lux e a Optimeyes Energy, do próprio Miguel Matias e com sede em Londres.

A outra linha de montagem da fábrica vai ser dedicada às baterias de lítio de alta temperatura, desde as de pequena às de grande escala e adaptadas a países com climas mais quentes.

As células de lítio que vão constituir a base de cada bateria vão ter de ser compradas “fora”, mas a empresa “espera um dia” conseguir produzir também este componente, afirmou Miguel Matias.

A junção do painel e da bateria vai dar origem a “inúmeras aplicações”, que a empresa ainda está a estudar, mas o administrador apontou, a título de exemplo, que podem ser usados na cobertura de autocarros e nas paragens dos mesmos, em autocaravanas, carrinhos de golfe, painéis de proteção de ruído de autoestradas, entre outros.

Há coisas tão simples como bancos de jardim”, que “podem ter um painel solar com uma lampadazinha”, para iluminação noturna e “produzir energia” para permitir a quem está sentado “carregar o telemóvel”, exemplificou.

A unidade prevê criar, logo no arranque, “cerca de 40 a 50” postos de trabalho, ou seja, sensivelmente metade dos que existiam na antiga MFS, porque vai ser mais automatizada, mas a empresa quer “recuperar muitos dos trabalhadores” que estavam na unidade anterior e que já possuem conhecimentos e formação na área da produção solar, assumiu o responsável.

A MFS, que foi propriedade da empresa espanhola ACCIONA, começou a funcionar em 2008 e foi uma das contrapartidas do projeto de construção da Central Solar Fotovoltaica de Amareleja, também no concelho de Moura.