O Alentejo registou um dos rácios de mortalidade materna mais elevados de Portugal no quinquénio 2020-2024, segundo o relatório “Mortalidade Materna 2020-2024”, divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS).
De acordo com o documento, a região apresentou um rácio de 17 mortes maternas por 100 mil nados-vivos, valor superior à média nacional do mesmo período.
No total, registaram-se três mortes maternas de mulheres residentes no Alentejo entre 2020 e 2024, num universo de 17.606 nados-vivos na região durante esse período.
Distribuição regional da mortalidade materna
O relatório indica que Lisboa e Vale do Tejo concentrou o maior número absoluto de mortes maternas, com 26 óbitos no quinquénio. A região Norte registou 14 mortes e o Centro sete.
Apesar de ter menos casos em números absolutos, o Alentejo surge entre as regiões com rácios mais elevados, apenas ultrapassado pelo Algarve, que apresentou um rácio de 18,2 mortes por 100 mil nados-vivos.
Segundo a Direção-Geral da Saúde, estes valores devem ser interpretados com cautela devido ao reduzido número de casos e à dimensão populacional das regiões, fatores que podem provocar oscilações mais significativas nos indicadores.
Tendência nacional da mortalidade materna
Em Portugal, entre 2020 e 2024 foram registadas 55 mortes maternas, correspondendo a um rácio médio de 13,1 mortes por 100 mil nados-vivos.
Os dados mostram que 61,8% dos óbitos ocorreram em mulheres com 35 ou mais anos, evidenciando um aumento do risco associado à idade materna mais avançada.
O relatório identifica ainda que cerca de metade das mortes ocorreu até 42 dias após o término da gravidez, enquanto 41,8% aconteceram durante a gravidez.
Principais causas identificadas
As mortes maternas foram classificadas em duas categorias principais: diretas e indiretas.
Entre as mortes diretas, destacam-se os distúrbios hipertensivos da gravidez e outras complicações obstétricas, cada um responsável por cerca de um terço dos casos.
Nas mortes indiretas, as doenças do aparelho circulatório foram a causa mais frequente, representando 57,1% dos óbitos deste grupo.
A Direção-Geral da Saúde sublinha que a mortalidade materna continua a ser um indicador relevante da qualidade dos cuidados obstétricos, defendendo o reforço das estratégias de vigilância, prevenção e acompanhamento ao longo da gravidez e do puerpério.



















