A Associação de Desenvolvimento Montes Claros quer criar um geoparque na Zona dos Mármores e da Raia, envolvendo os concelhos de Alandroal, Borba, Estremoz, Redondo, Sousel e Vila Viçosa, com vista a uma futura candidatura à UNESCO.
O projeto, apresentado pela associação sediada em Borba, pretende valorizar o património geológico, natural, cultural e histórico deste território do Alentejo Central, tendo como elemento agregador o Anticlinal de Estremoz, estrutura geológica que se estende entre Alandroal e Sousel.
A iniciativa abrange ainda áreas da Serra d’Ossa e da Serra de São Bartolomeu, numa estratégia que pretende ligar ciência, património, turismo, produtos locais e desenvolvimento sustentável.
Em declarações ao jornal ODigital.pt, o presidente da Associação de Desenvolvimento Montes Claros, Ângelo de Sá, explicou que a ideia surgiu na sequência do trabalho desenvolvido no âmbito do PROVERE.
“O geoparque é uma ideia que surgiu na sequência do trabalho que já vimos desenvolvendo ao nível do PROVERE. Entretanto, pensei que podíamos ir mais além”, afirmou.
Segundo o presidente, a geologia é o principal fator de ligação entre os concelhos abrangidos pela proposta. “O que nos identifica em termos globais é a geologia”, sublinhou Ângelo de Sá.
Projeto pretende valorizar território e atrair turismo
A Associação Montes Claros considera que a criação de um geoparque poderá contribuir para reforçar a notoriedade da Zona dos Mármores e da Raia, criando novas dinâmicas económicas ligadas ao turismo, à restauração, ao comércio, aos serviços e aos produtos locais.
Para Ângelo de Sá, uma eventual classificação associada à UNESCO poderá representar um fator de atração para visitantes. “Se isso vier a dar origem ao selo UNESCO, vai gerar seguramente um fluxo turístico enorme”, considerou.
O presidente da associação defende, contudo, que o conceito de geoparque não se limita à preservação geológica. A proposta pretende integrar também a agricultura, o património, os percursos pedestres, o turismo de natureza e os recursos existentes no território.
“O elemento unificador seria a parte geológica. Se juntarmos isso a um modelo de desenvolvimento sustentável de todo o território, aproveitando o que aqui existe de bom, e é muita coisa, o objetivo é envolver toda a gente”, acrescentou.
Candidatura ainda está numa fase inicial
Apesar da ambição do projeto, a Associação de Desenvolvimento Montes Claros reconhece que o processo está ainda numa fase inicial. O próximo passo passa por reunir parceiros institucionais, científicos e técnicos que possam contribuir para estruturar a proposta.
A associação pretende iniciar contactos com autarquias, universidades e especialistas, de forma a criar uma base de trabalho para desenvolver o projeto, preparar uma futura candidatura e identificar fontes de financiamento.
“O que se pretende com a reunião é exatamente ver quem está disponível”, explicou Ângelo de Sá. “A ideia primeira é juntar essas pessoas e desenvolver o projeto.”
Segundo o presidente, a concretização da iniciativa exigirá estudos especializados, financiamento e articulação entre as várias entidades envolvidas.
“Isto não é um plano a brincar. É um plano a sério e, para ser um plano a sério, precisa de mais cabeças. Muitas cabeças”, afirmou.
Geologia como elo de ligação entre seis concelhos
A proposta da Montes Claros tem como objetivo criar uma estratégia territorial comum para Alandroal, Borba, Estremoz, Redondo, Sousel e Vila Viçosa, tendo a geologia como elo de ligação entre os municípios.
Além do Anticlinal de Estremoz, o projeto pretende valorizar elementos naturais e culturais associados à identidade da região, incluindo o património ligado ao mármore, à olaria, aos solos, aos vinhos, aos azeites e à linha de defesa da Raia alentejana.
Para Ângelo de Sá, o foco central da iniciativa é o desenvolvimento dos concelhos abrangidos. “O principal foco é o desenvolvimento da região destes concelhos. Está sempre na mente isso. E claro que há aqui um elo de ligação que é a geologia”, concluiu.


















