Na inauguração da Feira da Luz/Expomor 2024, em Montemor-o-Novo, que decorreu esta quarta-feira, Joaquim Capoulas, presidente da APORMOR – Associação de Produtores do Mundo Rural da Região de Montemor-o-Novo, destacou os desafios que o setor rural enfrenta e defendeu a importância da pecuária extensiva para a sustentabilidade ambiental e económica da região.
Nas palavras proferidas, Capoulas agradeceu o apoio da Câmara Municipal e alertou para as dificuldades que ameaçam a continuidade do setor, desde a política agrícola até às alterações climáticas.
Capoulas começou por agradecer ao Presidente da Câmara Municipal, Olímpio Galvão, pelo “aumento do apoio financeiro” destinado à Expomor, sublinhando que este apoio “ajuda a suportar o enorme esforço financeiro que a APORMOR está a fazer ano após ano para afirmar a nossa região como a mais importante no panorama nacional no que à pecuária extensiva diz respeito”.
O presidente da APORMOR frisou que o setor da pecuária extensiva tem enfrentado anos difíceis, mencionando que “temos assistido nos últimos anos, principalmente em todo o Alentejo, a uma redução acentuada dos efetivos das espécies pecuárias do pastoreio extensivo”. Apontou como causas principais a substituição de áreas de pastoreio por “culturas permanentes de regadio de muito maior rentabilidade” e as políticas da Política Agrícola Comum (PAC) de 2023, que, segundo Capoulas, foram “muito influenciadas por radicalismos ambientalistas que fizeram da produção pecuária um dos alvos principais”.
Capoulas também criticou a falta de atenção dos governos para com as atividades económicas do mundo rural, afirmando que “a pouca importância dada às atividades económicas e às populações do Mundo Rural pelos últimos governos” tem contribuído para o abandono e a desertificação destas áreas. Defendeu ainda que é “fundamental a existência de um Ministério da Agricultura com peso político dentro do governo, qualquer que ele seja”, pois “a segurança alimentar é uma das condições essenciais de soberania”.
Outro ponto destacado foi o impacto da redução da produção nacional de carne no défice da balança alimentar, que atingiu 5.512 milhões de euros em 2023. “Na redução da produção nacional, foi o setor das carnes a representar o maior contributo para o défice da balança alimentar”, lamentou Capoulas, alertando para a crescente dependência de importações, nomeadamente da América do Sul.
O responsável sublinhou ainda a importância do papel dos agricultores como “verdadeiros ambientalistas”, afirmando que “sem a renovação urgente das populações rurais, que só é possível se se tornar atrativa e economicamente sustentável a vida no interior do território, a desertificação avançará, os equilíbrios na natureza desaparecerão e os incêndios tomarão conta do resto”.
A APORMOR, segundo Capoulas, continuará a promover o desenvolvimento sustentável do setor, procurando “os consensos necessários para atingir o objetivo de melhor cuidar do espaço rural”. A Feira da Luz/Expomor 2024, disse, “torna-se no evento mais importante do país no que à pecuária extensiva diz respeito”, oferecendo visibilidade e oportunidades de negócios aos criadores. “Temos aqui os melhores animais das espécies do sistema agro-silvo-pastoril”, afirmou, destacando a presença de criadores de todo o país.
Joaquim Capoulas reafirmou o compromisso da APORMOR em “tudo fazer para que a nossa Feira da Luz seja a mais importante feira do Alentejo e uma referência a nível nacional”, apelando à colaboração de todos para garantir “um crescimento económico ambientalmente equilibrado e socialmente mais justo”.
Concluiu com um apelo à continuidade do apoio ao mundo rural e à preservação do ecossistema único do Montado, essencial para a sustentabilidade do território e das gerações futuras. “As atuais gerações têm o dever de tudo fazer para que este ecossistema único no mundo seja passado às novas gerações pelo menos em tão bom estado como aquele que nos foi transmitido”, concluiu Capoulas.



















