O presidente da APORMOR — Associação de Produtores do Mundo Rural, Joaquim Manuel Capoulas, alertou para a necessidade de proteger os solos agrícolas de Montemor-o-Novo perante a instalação de centrais fotovoltaicas e a expansão de culturas permanentes promovidas por fundos de investimento.
Em declarações ao jornal ODigital.pt, no âmbito da abertura da Feira da Luz/Expomor 2026, Joaquim Manuel Capoulas defendeu que o desenvolvimento económico do concelho deve ser conciliado com a preservação do território rural e dos recursos naturais.
“Para que a nossa gente viva melhor, precisamos de criar mais riqueza. E a economia rural será a mais importante fonte”, afirmou, considerando que esta matéria exige “o maior consenso possível”.
“Não se destrua o que resta”
O presidente da APORMOR manifestou preocupação com a utilização de terrenos agrícolas para projetos que alterem a estrutura e a função produtiva dos solos.
Segundo Joaquim Manuel Capoulas, o concelho “continua a resistir à tentativa de ocupação geral dos solos agrícolas pelas culturas permanentes, na maioria dos casos exploradas por fundos financeiros”, assim como à instalação de “áreas enormes de centrais fotovoltaicas implantadas em terrenos agrícolas”.
O responsável alertou também para a permanência destes investimentos no território, afirmando que os fundos permanecem “enquanto houver rentabilidade”. “Quando isso deixar de acontecer, vão embora e quem cá fica fecha a porta”, acrescentou.
Joaquim Manuel Capoulas defendeu, por isso, que os projetos com impacto no mundo rural devem ser avaliados com base em critérios técnicos e numa visão global do território. “Temos de ser pragmáticos e saber conciliar ambiente com sustentabilidade económica. Se não houver uma visão de conjunto e objetiva, nada resultará. E todos perderemos”, declarou ao ODigital.pt.
O presidente da associação deixou ainda um apelo à preservação dos terrenos com capacidade produtiva: “Solo agrícola, através do qual se alimentam as pessoas, já não há mais. Não se destrua o que resta.”
Pecuária extensiva como parte da economia rural
Joaquim Manuel Capoulas destacou também o papel da pecuária extensiva na economia e na gestão do território, considerando Montemor-o-Novo uma referência neste setor.
“Montemor-o-Novo é reconhecido por todos como a autêntica capital nacional da pecuária extensiva”, afirmou, apontando a dimensão da atividade pecuária e da superfície agrícola existente no concelho.
O presidente da APORMOR salientou que este modelo de produção utiliza os recursos naturais através do pastoreio e pode contribuir para a conservação da biodiversidade, a prevenção dos incêndios, a economia local e a fixação de população nas zonas rurais.
A pecuária extensiva tem desempenhado “um papel muito importante a nível económico, mas também na preservação dos recursos naturais”, sustentou.
Expomor reúne mais de mil animais
Sobre a Expomor, Joaquim Manuel Capoulas classificou o certame como “a maior e mais importante mostra de animais das espécies pecuárias de pastoreio extensivo” realizada no país.
O responsável realçou ainda o papel dos leilões promovidos pela associação, considerando que Montemor-o-Novo se tornou uma referência nacional e ibérica na comercialização de gado associado à pecuária extensiva.
A programação da Expomor 2026 inclui exposições e concursos de animais, leilões, encontros dedicados às pastagens e aos solos, iniciativas dirigidas às crianças e um colóquio sobre as mulheres agricultoras. O certame decorre até 7 de setembro, integrado na Feira da Luz, em Montemor-o-Novo.













