“Quem se preocupa com os netos, planta um sobreiro,” diz o ditado popular. Do imponente sobreiro à resistente azinheira, o Montado Alentejano é um dos tesouros naturais mais ricos do mundo, equiparando-se à Amazónia ou à savana africana. Este ecossistema, que contempla uma vasta diversidade de fauna selvagem, pastagens e flora, confere ao Alentejo uma paisagem única, cheia de vida e história. Contudo, as alterações climáticas e a aplicação de métodos inadequados de controlo de vegetação, têm ameaçado a preservação deste território, que já contém três quartos da sua vegetação original perdida, chamando cada vez mais à atenção daqueles que se dedicam à sua proteção.
Hugo Tornelo, cocriador do Histórias à Sombra do Montado, um projeto que une arte e preservação ambiental através de histórias em banda desenhada, acredita que para proteger o Montado de Sobro, é fundamental primeiro perceber a sua importância. Eis cinco peculiaridades que muitos desconhecem sobre o Montado Alentejano:
1 | Possui um ecossistema ímpar
O Montado Alentejano é um dos ecossistemas mais singulares de Portugal, correspondendo a 23% da floresta nacional com um total de 736 mil hectares. Composto por 135 espécies de plantas, mais de 200 espécies animais, uma mistura de árvores, áreas de pastagem e zonas agrícolas, é lar para uma diversidade de plantas, mamíferos e aves, o que o torna uma reserva de biodiversidade natural onde a fauna e a flora diversa coexistem em harmonia.
2 | É um símbolo nacional
Presente em todo o Montado Alentejano, o sobreiro foi reconhecido como árvore nacional em 2011 pela Assembleia da República. Esta árvore, de onde se extrai a célebre cortiça portuguesa — uma matéria-prima versátil, usada na produção de rolhas, isolamento térmico e até em acessórios de moda —, desempenha um papel fundamental para o ecossistema do Montado e para a economia do país. Portugal é o maior produtor de cortiça do mundo, sendo responsável por cerca de 50% da transformação mundial e, além disto, este setor cresceu 47% nas exportações, alcançando mais de 100 mercados em todo o mundo, entre 2013 a 2023.
3 | Impulsiona a economia regional e nacional
A vasta biodiversidade do Montado Alentejano sustenta diversas atividades económicas que geram mais de 178 milhões de euros anuais e dinamizam a economia nacional. Desde a produção de cortiça, mel, lenha e bolota, a apicultura e o cultivo de plantas aromáticas, o Montado também apoia atividades exploradas comercialmente que desenvolvem a economia regional. O mesmo acontece com o turismo na região que também desempenha um papel importante, pois atrai visitantes interessados em ecoturismo, natureza, sustentabilidade e ecologia, contribuindo para gerar receitas, para a criação de postos de trabalho e para o investimento na região.
4 | Reforça a identidade local
Quando se pensa no Alentejo, é inevitável imaginar os campos dourados e as florestas de azinheiras, sobreiros, carvalhos e castanheiros. O Montado Alentejano não deixa ninguém indiferente, mas para os alentejanos, o seu significado e a sua paisagem têm um valor especial. Para além de ser o local de trabalho para muitos, o Montado cria um profundo sentimento de pertença entre aqueles que aqui vivem e, pelo seu carácter singular, reforça os laços da comunidade local, sendo uma verdadeira fonte de orgulho comum. Para o povo alentejano, o Montado não é apenas uma fonte de subsistência, mas um património que deve ser protegido e transmitido às futuras gerações.
5 | Promove o equilíbrio ambiental
Esta emblemática paisagem alentejana promove o equilíbrio ambiental de várias formas. Em muitas destas áreas, ainda se praticam atividades tradicionais, como o pastoreio de ovinos, que contribuem para a manutenção deste delicado sistema. As árvores do Montado facilitam a infiltração e recarga dos aquíferos, ajudando a conservar os solos. O descortiçamento dos sobreiros, uma prática ancestral que persiste, também desempenha um papel crucial, pois por cada tonelada de cortiça extraída, são sequestradas 73 toneladas de dióxido de carbono, permitindo que a terra respire. Este vasto e rico ecossistema é, portanto, um legado vivo, que conta a história de gerações de alentejanos que, ao longo dos anos, se dedicaram à preservação de toda a biodiversidade que nele se encontra.




















