Monforte: Câmara chumba petição para tirar o nome de José Carlos Malato de uma praça da vila

José Carlos Malato e a petição

José Carlos Malato criticou fortemente os alentejanos pela votação expressiva que André Ventura conquistou, nesta região, nas Eleições Presidenciais. Foi criada uma petição para retirar o nome do apresentador de uma toponímia em Monforte. A mesma, após analisada pela câmara, foi recusada.

José Carlos Malato escreveu “O Alentejo é uma Vergonha. Gente sem memória! Sou lisboeta, a partir de hoje”.

Os alentejanos indignaram-se e criaram uma petição pública, que teve milhares de assinaturas.

A mesma foi apreciada pelo executivo municipal e recusada.

João Barnabé, um dos mentores da petição, reagiu hoje nas redes sociais a esta situação, depois de no passado dia 3, em reunião de câmara, a proposta ter sido discutida e chumbada.

Os argumentos foram, e passamos a citar a acta, “as pessoas são humanas, com qualidades e defeitos e todos estamos sujeitos ao erro; – Não se pode julgar uma pessoa por um ato isolado, fruto de um impulso vomitado em triste e nada democrático comentário para as redes sociais, e muito menos possa merecer do Executivo uma reação igualmente populista que leve à alteração de um topónimo, seja ele qual for; – Recordar que no início de 2019 tivemos um episódio semelhante, onde também o Executivo não se envolveu, nem cedeu; – As Instituições Públicas num Estado de Direito Democrático têm nas suas competências a obrigação da tolerância e construção de pontes e soluções e não de fraturas da sociedade; – Não aceitar e manifestar-se absolutamente contra comentários com ofensas ao nome das pessoas, sejam elas de que cor, cultura, religião e género forem; Nestes termos, a Câmara deliberou, por unanimidade, não dar provimento à petição pública em título, mantendo e respeitando a decisão igualmente fundamentada e democraticamente tomada pelo Executivo Municipal em 2004/2005″.

João Barnabé, começa por explicar que “posso dizer que entendo a atitude tomada, apesar de não concordar com a mesma. Mas a Democracia é assim. Pelo menos, quero acreditar que todo o processo terá sido democrático”.

Qualquer pessoa adora dizer que “ama o Alentejo” ou que “só saí por obrigação, mas tenho lá uma casinha e vou sempre que possível” ou o meu preferido “é onde me sinto em casa, pena não poder lá viver”…mas esquecem-se que há quem viva por cá diariamente, ano após ano, apesar de todas as dificuldades que nos são impostas”, acrescenta.

Acredito também que por as respostas serem quase sempre “não vale o trabalho” ou “o melhor é não dar importância”, o Alentejo não seja levado tão a sério como deveria. A minha revolta pessoal vem daí e foi isso que me fez fazer a Petição”, ressalva.

A quem diz que “só perdi tempo” ou que “não vale tanta atenção”, para não falar em quem me insultou só porque sim quando isto foi tornado público, não se preocupem. Estou em confinamento, tenho algum tempo livre e a Petição demorou uns loucos 5 minutos, ou nem isso, a ser feita. Se há formas de demonstrarmos o nosso desagrado com algo, porque não fazê-lo? A minha consciência ficou e está descansada. Sou Alentejano, sou Monfortense, e tenho um orgulho imensurável nisso! E para quem diz que sou maluco…confirmo. Mas sou um maluco do Alentejo e isso dá-me uma alegria do caraças!”, remata.