A mobilidade elétrica está a ganhar peso em Portugal e 2026 poderá marcar um ponto de viragem na adoção deste tipo de veículos, segundo o estudo “Mobilidade Elétrica em Portugal 2026”, divulgado pelo Observatório ACP. Apesar da evolução do mercado nacional, o relatório identifica o Alentejo como uma das regiões com maiores dificuldades no acesso à infraestrutura de carregamento.
O estudo conclui que os veículos eletrificados representam atualmente 9% dos condutores com carta em Portugal, o que corresponde a uma subida de 5,5 pontos percentuais face ao levantamento realizado em 2025.
A investigação, baseada em 1.608 entrevistas realizadas entre janeiro e fevereiro de 2026, aponta para uma aceleração da adoção de soluções de mobilidade elétrica e para uma mudança gradual na perceção dos consumidores portugueses.
Cresce interesse dos condutores por carros eletrificados
De acordo com o Observatório ACP, metade dos condutores portugueses afirma que optaria atualmente por um automóvel com componente elétrica se tivesse de comprar um carro novo.
Entre as opções preferenciais surgem os veículos totalmente elétricos (21%), seguidos pelos híbridos plug-in (20%). Em contraste, os modelos a diesel e a gasolina representam cada um 19% das escolhas potenciais.
O estudo indica ainda que 49% dos condutores admitem trocar de automóvel nos próximos um a cinco anos, um aumento de 25 pontos percentuais face ao ano anterior.
A predisposição para adquirir um veículo 100% elétrico também aumentou, com 55% dos inquiridos a considerar provável fazer essa escolha. Entre os fatores apontados para esta preferência destacam-se a preocupação ambiental, os custos de utilização mais baixos e a expectativa de evolução tecnológica.
Alentejo entre as regiões com maior dificuldade de carregamento
Apesar da evolução do mercado, o relatório identifica assimetrias territoriais na infraestrutura de carregamento.
Segundo o estudo, as zonas rurais e as pequenas cidades apresentam maiores dificuldades na disponibilidade de postos de carregamento. O Alentejo surge como a região onde os condutores referem sentir mais obstáculos para encontrar infraestruturas de carregamento, com 24,2% dos inquiridos a apontarem esta região como a mais problemática neste domínio.
A análise indica ainda que quase metade das dificuldades na localização de postos ocorre em áreas rurais (46,9%) e em pequenas cidades e vilas (45,9%), o que reforça os desafios enfrentados em territórios de baixa densidade populacional.
Consumidores mais informados sobre mobilidade elétrica
O estudo mostra também que a familiaridade com os veículos eletrificados está a aumentar entre os condutores portugueses. Cerca de 59% dos inquiridos afirmam ter amigos ou familiares que já possuem um veículo eletrificado.
Paralelamente, cresceu o número de pessoas que procura informação online ou visita stands automóveis para conhecer melhor estas soluções. Entre as marcas, a BYD ultrapassou a Tesla como a marca mais desejada pelos condutores que ainda não possuem um veículo elétrico.
Mercado recente, mas em expansão
Entre os proprietários de veículos eletrificados, 82% possuem o automóvel há menos de cinco anos, o que demonstra que se trata de um mercado recente, mas em crescimento.
A maioria dos utilizadores carrega o veículo em casa (86%), embora 91% também utilize postos públicos. O custo médio de carregamento doméstico situa-se até cerca de sete euros por carregamento, enquanto o gasto mensal na rede pública ronda os 50 euros.
Em síntese, o Observatório ACP conclui que o automóvel eletrificado começa a afirmar-se como uma alternativa relevante na mobilidade em Portugal. Contudo, fatores como o preço dos veículos, a autonomia e a desigualdade na infraestrutura de carregamento — particularmente em regiões como o Alentejo — continuam a representar desafios para a adoção generalizada desta tecnologia.



















