Os Centros Tecnológicos Especializados (CTE) estão a marcar uma nova etapa no ensino profissional em Portugal, com um investimento nacional de cerca de 480 milhões de euros e a criação de aproximadamente 400 centros em todo o país. A afirmação foi feita esta sexta-feira, em Évora, pelo Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, na sessão de abertura do I Seminário dos Centros Tecnológicos Especializados: Impactos, Desafios e Oportunidades, promovido pelo Agrupamento de Escolas Severim de Faria, em Évora, em colaboração com o Centro de Formação Beatriz Serpa Branco.
O governante enquadrou o investimento como uma «transformação completa» do ensino profissional, sublinhando que não se trata apenas de modernizar equipamentos, mas de alterar práticas pedagógicas e reforçar a empregabilidade dos alunos. «Estamos num momento em que estamos a fazer um enorme investimento na renovação do ensino profissional. É um investimento de cerca de 480 milhões de euros em cerca de 400 centros tecnológicos especializados em todo o território nacional», afirmou.
Ensino profissional como via de igualdade de oportunidades
Fernando Alexandre defendeu que a via profissional deve ser encarada como um percurso com igual dignidade e com portas abertas ao ensino superior. «Ninguém fica excluído do acesso ao ensino superior por seguir a via profissional», declarou, acrescentando que esta opção «contribui para a igualdade de oportunidades, porque abre o leque de escolhas a qualquer aluno».
O ministro recordou que a redução do abandono escolar em Portugal está ligada ao reforço desta via de ensino. Segundo referiu, a taxa de abandono aos 18 anos passou de cerca de 30%, em 2009/2010, para aproximadamente 6% na atualidade, situando-se abaixo da média da União Europeia.
Defendeu ainda que os novos equipamentos exigem adaptação por parte das escolas e dos docentes. «Este enorme investimento não é apenas um investimento em equipamentos. Isto é uma mudança completa», afirmou, sublinhando que a inovação tecnológica, incluindo a utilização de inteligência artificial, deve integrar os processos de ensino e aprendizagem.
Escolas chamadas a concretizar políticas públicas
A diretora do Agrupamento de Escolas Severim de Faria, Ana Pires Fernandes, enquadrou o seminário como um momento de reflexão e partilha sobre a implementação dos CTE no terreno. Considerou que os centros representam «uma aposta clara do Ministério da Educação numa escola mais moderna, exigente, inclusiva, capaz de responder aos desafios da competitividade, da transição digital e da sustentabilidade».
Para a responsável, os CTE são «instrumentos fundamentais para a valorização das competências técnicas avançadas» e aproximam «a educação das necessidades reais da economia e do desenvolvimento regional». Sublinhou ainda que as escolas devem assumir um papel ativo na concretização das orientações estratégicas, defendendo uma escola «que não executa apenas, mas que participa ativamente na construção de soluções ao nível central, regional e da nossa cidade».
Articulação entre município, escolas e Governo
Também presente na sessão, a vereadora da Câmara Municipal de Évora, Carmen Carvalheira, destacou a importância da articulação institucional para maximizar o impacto dos investimentos. «Só conseguiremos chegar a grandes resultados se conseguirmos tirar muito partido desta colaboração entre todos», afirmou.
A autarca salientou que o município tem competências acrescidas na área da educação e que os desafios do território exigem proximidade e coordenação entre Governo, escolas, universidade e tecido empresarial. «É esta necessidade de tirarmos o melhor partido do melhor que se faz em cada uma destas escolas e conseguirmos, de forma muito colaborativa, ligar o município, o Governo, as escolas e a universidade», referiu.
Carmen Carvalheira enquadrou ainda o desenvolvimento educativo no contexto mais amplo da região, lembrando projetos estruturantes como o novo hospital central e a candidatura de Évora a Capital Europeia da Cultura em 2027, defendendo que educação, cultura e tecnologia devem ser articuladas como instrumentos de desenvolvimento regional.
Mudança estrutural com impacto no território
O ministro concluiu referindo que a transformação do ensino profissional depende da capacidade das escolas em partilhar boas práticas e disseminar inovação. «Se nós queremos inovar e ter qualidade, aquilo que temos que fazer é identificar os melhores projetos que existem no país, aprender com eles e depois espalhar isso pelo país», afirmou.
O I Seminário dos Centros Tecnológicos Especializados decorreu no auditório da Escola Secundária Severim de Faria, em Évora e reuniu docentes, formadores, decisores e representantes institucionais para debater os impactos, desafios e oportunidades associados à implementação dos CTE.
Fique de seguida com as imagens desta visita:













































































