A ministra da Cultura, Dalila Rodrigues, esteve esta terça-feira em Redondo para a inauguração do Núcleo de Arte Pastoril – Coleção de António Carmelo Aires, um espaço dedicado à preservação da arte popular associada ao pastoreio e às tradições rurais. Durante a cerimónia, a governante sublinhou a necessidade de valorizar todas as expressões culturais, rejeitando hierarquias entre diferentes formas de arte.
«A Arte Pastoril é arte e quem a concebe e elabora é um artista», afirmou Dalila Rodrigues, reforçando que o reconhecimento da cultura não pode estar sujeito a distinções entre alta e baixa cultura.
Nas palavras proferidas, a ministra destacou a importância da arte pastoril como expressão autêntica da identidade cultural do Alentejo. «Muitas vezes, olhamos para estas peças e esquecemos que são fruto de um conhecimento transmitido ao longo de gerações, de uma criatividade que nasce da necessidade e da experiência do quotidiano», afirmou.
Para Dalila Rodrigues, a arte popular deve ser reconhecida pelo seu valor simbólico, histórico e artístico. «O que tradicionalmente se designava por ‘baixa cultura’ é, na realidade, ouro. Se não valorizarmos estas manifestações, estamos a perder um património que faz parte da nossa identidade coletiva», acrescentou.
A governante reforçou ainda que a distinção entre artes maiores e menores é um preconceito ultrapassado. «O artesão que transforma materiais simples em peças únicas é, sem dúvida, um artista. A arte não se mede pelo espaço onde é exibida ou pelo público que a consome, mas pela sua capacidade de nos fazer compreender o mundo e a nossa própria história», sublinhou.
Dalila Rodrigues comparou a cultura a um ecossistema, defendendo que a diversidade cultural é essencial para a sobrevivência da sociedade, tal como a biodiversidade é fundamental para o equilíbrio da natureza. «Tal como a natureza não pode viver sem o pequeno e o grande, o médio e o intermédio, também a cultura não pode ser reduzida a categorias artificiais. Todas as formas de expressão cultural têm um papel fundamental no nosso desenvolvimento coletivo», afirmou.
A ministra defendeu que a política cultural deve apoiar tanto a preservação do património como a criação contemporânea, sem cair em divisões ideológicas. «Não há políticas culturais de esquerda ou de direita. Há um imperativo de valorizar a cultura, de garantir que o passado é preservado e que o presente continua a criar», declarou.
Neste sentido, destacou que projetos como o Núcleo de Arte Pastoril de Redondo são essenciais para garantir que práticas culturais ligadas ao mundo rural não se perdem com o tempo. «O avanço da modernização não pode significar o desaparecimento de expressões culturais fundamentais. A arte pastoril não é apenas um registo do passado, mas uma manifestação viva da criatividade e do engenho popular», frisou.
A ministra elogiou o trabalho de António Carmelo Aires, o colecionador responsável pelo espólio que deu origem ao novo núcleo, sublinhando o seu contributo para a preservação da memória coletiva. «A cultura é feita de pessoas que entendem o valor da sua herança e que fazem dela um compromisso com o futuro. O trabalho do Dr. Carmelo Aires é um exemplo disso», afirmou.
Citou novamente as palavras do colecionador para reforçar a mensagem principal do evento: «Não há artes maiores ou menores. A arte popular é a sua vertente mais rara e autêntica. A arte pastoril é arte. E quem a concebe e elabora é um artista».
Para Dalila Rodrigues, a inauguração do Núcleo de Arte Pastoril é um passo importante na valorização do património imaterial português. «Este espaço não é apenas um museu. É um local de conhecimento, de memória e de identidade. Aqui, garante-se que o legado cultural de Redondo continua vivo e acessível às futuras gerações», declarou.
Com a criação do Núcleo de Arte Pastoril – Coleção de António Carmelo Aires, Redondo afirma-se como um centro de preservação e promoção das tradições locais, reforçando o seu compromisso com a cultura e com a identidade alentejana.


















