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Mértola reafirma-se como capital nacional da caça com feira que valoriza economia, sustentabilidade e tradição (c/fotos)

A vila de Mértola volta a ser, durante o fim de semana, o ponto de encontro nacional do setor cinegético. A 16.ª edição da Feira da Caça, promovida pela Câmara Municipal, reune mais de uma centena de expositores, caçadores, produtores locais e milhares de visitantes no Pavilhão Multiusos – Expo Mértola, reafirmando o estatuto do concelho como referência no mundo da caça.

O evento decorre até domingo, com uma programação que incluiu demonstrações, conferências, provas desportivas, tasquinhas, música e uma exposição de fauna viva com mais de vinte espécies. A feira é considerada pela autarquia «um evento de grande relevância regional e nacional», pela sua capacidade de gerar impacto económico e de valorizar os recursos endógenos.

Mértola: uma capital com substância

O presidente da Câmara Municipal, Mário Tomé, sublinhou que Mértola conquistou o título de capital nacional da caça não apenas por tradição, mas pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos. «Demos substância a esta denominação de Mértola, capital nacional da caça. Fizemo-lo com projetos concretos, como o da recuperação do coelho-bravo e da lebre ibérica, as jornadas de caça, o apoio aos caçadores e o estudo da Carta da Caça», afirmou ao Jornal ODigital.pt.

O autarca destacou ainda que esta designação tem hoje reconhecimento generalizado. «Sente-se cada vez mais, e é unânime, que Mértola é capital nacional da caça», reforçou.

Sustentabilidade e formação no centro da estratégia

A aposta do município vai além da promoção da atividade cinegética. Mário Tomé salientou que Mértola é um exemplo de sustentabilidade aplicada ao setor. «A palavra sustentabilidade é muitas vezes usada sem rigor. Em Mértola, diz-se com rigor e pratica-se com rigor», garantiu.

O concelho conta com a única Escola de Caça e Pesca do país, que tem contribuído para a formação de novos caçadores e para o reforço da segurança e responsabilidade ambiental. «Temos uma ação pedagógica cuidada. A escola dá capacitação e formação e apoia quem quer tirar a carta de caçador, porque queremos que esta atividade se desenvolva com consciência e conhecimento», referiu o presidente.

A caça como motor económico e turístico

Mértola é reconhecida como um dos principais destinos de caça em Portugal, com impacto relevante no turismo e na economia local. Mário Tomé recordou que a atividade cinegética gera movimento durante todo o ano. «O turismo é fundamental para nós, mas a caça dá-nos uma complementaridade importante em épocas mais baixas. Atrai milhares de pessoas que nos visitam para caçar e que depois regressam para conhecer Mértola noutras dimensões», afirmou.

O autarca destacou que este fluxo de visitantes tem também reflexos indiretos, reforçando o comércio, a restauração e o alojamento local. «A caça é vista como fundamental do ponto de vista do desenvolvimento económico. É um complemento essencial à nossa ação económica e contribui para o desenvolvimento local», acrescentou.

A voz de Mértola no futuro do setor

Durante a entrevista, Mário Tomé defendeu a importância de o município ser ouvido nas decisões que afetam o setor da caça. «Mértola tem de ser ouvida nas alterações de fundo ao setor. Nós damos contributos concretos e temos experiência no terreno que deve ser aproveitada», afirmou.

O autarca deixou também um alerta em relação à reorganização do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) no contexto da sua integração nas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional. «É urgente que o setor da caça seja consultado. O ICNF faz um trabalho importante, mas há questões que precisam de ser melhoradas. A integração deve ser feita com cuidado, ouvindo o setor e os seus contributos», sublinhou.

Feira da Caça reforça identidade e comunidade

Para Mário Tomé, a Feira da Caça é o culminar de um trabalho anual de valorização da identidade do concelho e da sua ligação ao mundo rural. «A feira é a montra dessa afirmação. Reúne caçadores, profissionais, famílias e visitantes em torno da tradição, da cultura e da valorização dos recursos locais», disse.

O evento contou também com animação musical, incluindo concertos de Nuno Ribeiro, Emanuel e Os Vizinhos, além de atuações de grupos de música tradicional e de cante alentejano. Tasquinhas, concursos, mostras e iniciativas ligadas à natureza completaram o programa, que voltou a afirmar Mértola como território de caça, cultura e natureza.

«Mértola e a caça confundem-se. A caça é parte da nossa identidade, do nosso desenvolvimento e da nossa afirmação como território rural de excelência», concluiu Mário Tomé.

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