A presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, disse hoje que “a noite foi tranquila”, com a Avenida dos Aviadores, a mais afetada da cidade, “a libertar a água” que ‘invadiu’ na quinta-feira aquela artéria.
“A noite foi mais tranquila do que a anterior. Temíamos que a chuva fosse mais intensa, mas durante a noite não choveu”, permitindo que a água se mantivesse “dentro dos mesmos níveis”, disse Clarisse Campos, em declarações à agência Lusa.
Esta situação permitiu a libertação da água que se acumulou, nos últimos dias, na Avenida dos Aviadores, adiantou.
“Só temos uma parte da avenida ainda inundada”, esclareceu a autarca, acrescentando que os cerca de 20 comerciantes afetados pela subida das águas do Rio Sado não poderão ainda aceder aos seus estabelecimentos.
Quanto às pessoas que residem na zona inundada e que permanecem em casa, Clarisse Campos explicou que estão em contacto com as equipas de apoio para identificarem os “bens de primeira necessidade, como o pão, leite, ‘powerbanks’ [carregadores portáteis]” para os telemóveis que precisam e que são entregues por barco.
Ainda de acordo com a presidente da câmara, o Bairro do Forno da Cal, onde vivem cerca de 90 pessoas, uma das zonas isoladas do concelho, é, neste momento, a situação que merece maior preocupação.
“As populações desse bairro não conseguem mesmo sair (…) estão isoladas e dependem da ajuda de familiares, da câmara municipal e dos bombeiros para o dia a dia”, afirmou.
Na sua página na rede social Facebook, o município de Alcácer do Sal informou hoje que a Ponte Metálica sobre o Rio Sado, a Rotunda do Forno da Cal e a Avenida dos Aviadores estão entre as áreas com constrangimento e/ou inundadas, bem como diversas estradas pelo concelho.
Clarisse Campos frisou que se mantém atenta à mudança das marés e às descargas das barragens de Odivelas, no concelho de Ferreira do Alentejo, e Alvito, no de Cuba, no distrito de Beja.
A autarca está também atenta às descargas nas barragens de Vale do Gaio e Pego do Altar, no concelho de Alcácer do Sal, e de Campilhas, no concelho de Santiago do Cacém, no distrito de Setúbal, para o Rio Sado.
Entretanto, acrescentou, o município “solicitou à E-Redes uma avaliação dos quadros elétricos” para tentar perceber “quando é que pode voltar a ligar a eletricidade em segurança”.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.


















