O litoral alentejano está a articular o envio de bens e materiais de construção para as zonas mais afetadas pela passagem da depressão Kristin, estando prevista a saída dos primeiros camiões na sexta-feira.
Em declarações à agência Lusa, o comandante dos Bombeiros Mistos de Grândola, no distrito de Setúbal, Cláudio Tomé, explicou que a iniciativa partiu da população, que pediu a colaboração da corporação para recolher materiais de construção e bens de primeira necessidade.
A corporação está a acolher a doação de vários bens, em articulação com os Bombeiros Voluntários de Ourém, aos quais vai ser entregue todo o material, como “telhas, cordas, lonas, material para a construção civil, produtos alimentares e de higiene, roupas, cobertores e águas”, disse o comandante.
Cláudio Tomé adiantou que, para esta ação solidária, não estão a ser aceites donativos monetários, sendo apenas “feito o contacto com empresas locais” para que as pessoas possam adquirir esses materiais, que “são depois colocados” no quartel dos bombeiros de Grândola.
Além da ajuda da população, o comandante referiu que empresas privadas “já se disponibilizaram com os camiões para o transporte destes bens”, que serão enviados esta sexta-feira.
“O que está previsto é fazer a recolha destes bens até ao final da tarde de quinta-feira para, depois, na sexta-feira de manhã, deslocarmo-nos até Ourém para fazer a entrega”, afirmou Cláudio Tomé, que disse esperar conseguir carregar “dois ou três camiões” com ajuda.
O Sindicato XXI, em Sines, também no distrito de Setúbal, juntou-se igualmente à ‘onda’ de solidariedade e está a promover uma campanha de angariação e recolha de bens alimentares e de higiene para enviar para o distrito de Leiria.
Fonte do sindicato explicou à Lusa que foram criados pontos de recolha no Terminal XXI do Porto de Sines, apelando à solidariedade dos trabalhadores, assim como na sede do sindicato e nas Juntas de Freguesia de Sines e de Santo André, no concelho vizinho de Santiago do Cacém.
Os bens recolhidos, com prioridade para lonas, geradores e materiais de construção, seguem para a região de Leiria, no próximo dia 10 deste mês.
Um total de 10 pessoas morreu desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.


















