A Carta Arqueológica de Reguengos de Monsaraz, apresentada este sábado, 26 de setembro, reúne 1.545 sítios identificados no concelho, mas o levantamento está longe de estar encerrado. A presidente da Câmara Municipal, Marta Prates, considera que o documento marca o início de uma nova etapa na identificação, proteção e valorização do património arqueológico do território.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, Marta Prates afirmou que a carta “é o documento que oficializa aquilo que nós somos enquanto território na área do património megalítico”, sublinhando a importância de conhecer a localização e as características dos vestígios existentes.
“Depois de identificados, podem ser devidamente classificados, devidamente preservados, devidamente catalogados, para que nós saibamos efetivamente aquilo que ali está”, explicou a autarca ao Jornal ODigital.pt.
Identificação é determinante para proteger património
Para Marta Prates, um dos principais contributos da Carta Arqueológica passa precisamente pela possibilidade de identificar o património antes de serem realizadas intervenções no território.
“Com este documento ficamos com a certeza, ou pelo menos com a quase certeza, de que podemos, a partir daqui, preservar aquilo que está identificado. Porque, se não estiver identificado, não se pode preservar”, afirmou.
A presidente da Câmara lembra que Reguengos de Monsaraz é um concelho com uma extensa área rural, onde podem existir vestígios arqueológicos ainda desconhecidos.
Segundo a autarca, a identificação dos monumentos e restantes sítios arqueológicos cria condições para uma maior proteção perante trabalhos ou obras que venham a ser realizados no território.
Desenvolvimento e património “não são realidades incompatíveis”
A Carta Arqueológica assume também uma função no planeamento do território e na relação entre novos investimentos e a preservação dos vestígios existentes.
Marta Prates defende que o conhecimento prévio do património permite avançar com projetos sem comprometer os testemunhos históricos existentes.
“Tendo o património identificado, nós sem dúvida podemos avançar para o desenvolvimento, que é fundamental para a nossa época, para o nosso tempo, para a nossa era, mas com cuidado, não destruindo aquilo que é a nossa história”, disse ao Jornal ODigital.pt.
A presidente da Câmara já tinha salientado que “desenvolvimento e património não são realidades incompatíveis”, considerando que o conhecimento arqueológico permite tomar decisões sobre o território com maior informação.
Um dos exemplos apontados são as obras do circuito hidráulico de Reguengos de Monsaraz, durante as quais foram entretanto encontrados novos vestígios arqueológicos.
“Já apareceram alguns achados que estão a ser devidamente classificados e que já estão devidamente identificados e estão a ser trabalhados pela Arqueologia do Município de Reguengos de Monsaraz”, revelou Marta Prates ao Jornal ODigital.pt.
Carta já tem novos sítios para acrescentar
Apesar de reunir 1.545 sítios, a Carta Arqueológica apresentada este sábado não constitui um inventário encerrado.
“Já está desatualizada”, afirmou Marta Prates, explicando que continuam a surgir novos achados arqueológicos no concelho.
O próprio documento deverá, por isso, continuar a ser atualizado à medida que forem identificados e estudados novos vestígios.
“É, de facto, um documento de trabalho”, frisou a presidente da Câmara, acrescentando que o levantamento realizado permite agora continuar o processo de classificação e proteção.
“Hoje é o início e não o fim. É o início do trabalho. Nós agora temos tudo classificado. Vamos continuar a classificar, vamos proteger, vamos partilhar”, afirmou Marta Prates ao Jornal ODigital.pt.
Município quer aproximar património da população
Outro dos objetivos apontados pela autarca passa pela divulgação do património arqueológico junto da população, procurando que o conhecimento produzido não fique circunscrito ao meio científico.
Marta Prates afirmou que o município pretende que este património seja “conhecido, visitado, explicado às nossas crianças, aos nossos jovens, valorizado pelas nossas comunidades e sentido como aquilo que verdadeiramente é parte da nossa identidade coletiva”.
Sobre esta vertente de valorização e divulgação, a presidente da Câmara adiantou ao Jornal ODigital.pt que haverá “novidades em breve”, sem revelar, para já, quais as iniciativas previstas.
A “Carta Arqueológica de Reguengos de Monsaraz – De Tempore Antico” é da autoria de Rui Mataloto, arqueólogo da Câmara Municipal de Redondo, e André Pereira, gestor de ciência no Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa.
O trabalho reúne 1.545 testemunhos de ocupação humana no concelho, abrangendo diferentes períodos, desde a Pré-História às épocas Medieval e Moderna, e foi apresentado no âmbito das Jornadas Europeias do Património.
















































