Mármores: “Os empresários concentraram-se muito no lucro imediato e fácil e pouco naquilo que é a sustentabilidade dos seus projectos”, diz Vice-presidente da CCDRA (c/som)

Na passada semana, o Teatro Bernardim Ribeiro, em Estremoz, recebeu, um seminário com o tema “Mármores, uma actividade industrial com história e futuro”, enquadrado no âmbito do estudo Património e História da Indústria dos Mármores (PHIM).

Presente neste seminário, esteve o Vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA), Jorge Pulido Valente que falou dos principais desafios e oportunidades que o sector dos mármores.

Em declarações ao ODigital.pt, Jorge Pulido Valente, começa por referir que “são desafios e oportunidades também que este sector tem pela frente em face da situação actual quer dos mercados, quer das indicações daquilo que são a exploração sustentável dos nossos recursos naturais”, acrescentando que “os empresários deste sector têm de partir para uma nova abordagem da sua actividade tendo em conta todos os factores que neste momento condicionam a mesma. Portanto há aqui uma preocupação óbvia com a sustentabilidades nas suas múltiplas acções (territorial, económica, ambiental, social) e os nossos empresários, tirando algumas excepções, não estão ainda a abordar este novo período e esta nova fase da exploração do sector de forma mais adequada. É necessário que eles se associem, inovem e procurem novos mercados mas é sobretudo necessário que eles tenham uma nova cultura empresarial face à situação actual e aos episódios dramáticos que vivemos recentemente.”

O Vice-presidente da CCDRA, adianta que “vai sair uma nova lei das pedreiras, este sector tem sido muito protegido durante décadas, teve várias oportunidades de regularizar os seus processos e em alguns casos até legalizar as explorações e portanto os nossos empresários têm de perceber que já não há mais oportunidades de regularização. Esta é a última das oportunidades e nesse sentido têm de cumprir o que está estipulado na lei, interiorizando nos seus processos aquilo que são estas exigências legais e do ponto de vista ambiental e da sustentabilidade.”

Pulido Valente destaca ainda o facto de haver “oportunidades claras em termos do próximo quadro comunitário de apoio, há oportunidades que são promovidas pela SINES-CAIA que está neste momento em construção ferroviária, há oportunidades no âmbito da economia circular que promove novas aplicações para os produtos, há também uma nova abordagem naquilo que diz respeito à recuperação ambiental das pedreiras em fim de vida ou mesmo aquelas que estão em produção, portanto os candidatos têm de se aliar à academia, aliar, uns aos outros, à administração, no sentido de encontrar o caminho que viabilize este sector tendo em conta que há desafios e oportunidades mas também ameaças e é preciso conhecer e saber lidar com essas ameaças.”

Questionado sobre o que terá levado os empresários do mármore ao desinteresse na sua evolução e no acompanhamento das exigências que têm surgido ao longo dos anos, o Vice-presidente da CCDRA diz que “os empresários se concentraram muito no lucro imediato e fácil e pouco naquilo que é a sustentabilidade dos seus projectos, também, económica. Por isso digo que tem de haver uma nova mentalidade e abordagem, a este sector. Os recursos naturais, cada vez será mais complicada a sua exploração, tendo em conta a exiguidade desses recursos e a protecção ambiental, e, portanto, temos neste momento uma série de recursos e matérias-primas secundárias nas explorações das pedreiras que têm de ter um aproveitamento, simultaneamente permite alguma recuperação das pedreiras exploradas e permite a viabilidade económica-financeira destas indústrias. Não é fácil mas é o caminho.”

Já sobre a nova lei das pedreiras e o que pode trazer de novo ao sector, Jorge Pulido Valente salienta que “vai ter mais exigências nas questões ambientais e de segurança, como é óbvio, e também do próprio ornamento. Vai criar ainda maiores responsabilidades aos empresários do sector, quando estão a explorar estes recursos naturais. Tem de haver aqui um binómio exploração-responsabilização e a responsabilização tem sido uma parte esquecida. Agora é tempo de ser uma prioridade.”

Já sobre o facto de os empresários do mármore terem sido, alegadamente, muito protegidos ao longo dos anos e agora com a nova lei deixarem de ser protegidos e começarem de facto a cumprir as leis, Pulido Valente afirma que “a questão não é da lei mas sim da aplicação e fiscalização da lei. E onde houve alguma protecção a este sector foi na aplicação e na aplicação da viabilidade da lei e no adiar da aplicação da lei. Portanto é preciso mais fiscalização e é preciso mais acompanhamento das pedreiras.”

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