Mármores: Carlos Filipe destaca “produto endógeno da nossa região, com um grande valor económico, social e cultural” (c/som)

Investigador do CECHAP

Decorreu, esta sexta-feira (30 de Outubro) a conferência “Mármores. Leituras interdisciplinares, através dos tempos”, promovida pelo CECHAP – Centro de Estudos de Cultura, História, Artes e Património.

Tratou-se de uma conferência de acompanhamento, no âmbito do estudo Património e História da Indústria dos Mármores (PHIM) – 3.ª Fase [ALT20-08-2114-FEDER-000213], dando continuidade às 2.ª e 1.ª fases, apoiadas, respetivamente, pelos programas Alentejo 2020 e INALENTEJO, sob o quadro comunitário anterior.

Participaram nesta conferência Vítor Cóias (GECoRPA e Fórum do Património), Fernando Grilo (ARTIS-IHA – FLUL), Joana Balsa de Pinho (ARTIS-IHA | CLEPUL – FLUL), Ricardo Silva (ARTIS-IHA – FLUL), João Pires Lopes (CECHAP), Maria João Pereira Coutinho (IHA – NOVA FCSH), Patrícia Monteiro (CLEPUL – ARTIS-IHA – FLUL), Carlos Filipe (ARTIS-IHA – FLUL, CECHAP ), Clara Moura Soares (ARTIS-IHA – FLUL), Rute Massano Rodrigues (ARTIS-IHA – FLUL), Nelson Almeida (IST-UL | GeoStones) e Miguel Ángel Vallecillo Teodoro (Museu de Olivença).

ODigital.pt falou com Carlos Filipe, do CECHAP, começou por explicar este projeto referindo que se trata de “um estudo sobre o produto endógeno da nossa região, com um grande valor económico, social e cultural que é hoje mais do evidenciado pelas diversas especialidades das ciências, como uma exceção no conjunto dos recursos naturais do nosso país”.

Carlos Filipe  salientou que este estudo tem “uma componente muito carregada e muito vincada através do conhecimento que é adquirido, por um lado pela investigação e depois pela transmissão desse mesmo conhecimento e aqui entra uma equipa interdisciplinar, uma equipa com diversas universidades portuguesas e algumas estrangeiras nomeadamente de Espanha, que está a integrar este múltiplo conjunto de investigadores das diversas ciências, desde as ciências exatas, as geológicas, até à história e às questões sociais as questões económicas as questões do direito”.

O Investigador revelou que “sabemos hoje por aquele conjunto de especialistas, que é a primeira vez em Portugal que se está a estudar em conjunto e sistematizado, o direito das minas e das pedreiras, o que quer dizer que estamos aqui perante um fato novo que irá dar os seus resultados na conclusão do trabalho que será em 2021/22, ou seja, o Congresso decorrerá no final de 2021 e as últimas conclusões em Janeiro de 22 portanto, tratando-se de uma coisa muito motivadora e uma equipa que não sonhava que a importância dos mármores tinha no contexto do direito e nomeadamente do direito português.”

Está também a ser estudada a economia social, aquela economia que provocou o avanço da indústria no período moderno para o contemporâneo, e portanto, estamos a estudar um conjunto de novas informações sobre a economia dos mármores desde o século 17 até ao século 19, sendo que este trabalho de economia está dividido em dois grandes blocos este primeiro que acaba de ser transmitido e um segundo entregue à Universidade de Évora através do Centro de Estudos CIDHEUS, que está a estudar a segunda metade do século 19 ao século 20 e a entrada no novo milénio século 21, portanto também com grandes novidades é um trabalho sistematizado com grande rigor que envolve um conjunto de pessoas”, salientou Carlos Filipe.

Ainda de acordo com o investigador, está a estudar-se “o que nunca tinha sido estudado” e que tem bastante interesse “para todos aqueles que têm interesse e essencialmente que nunca deixem de vincar este aspeto para a afirmação de uma indústria que tem dois mil anos e quando os nossos empresários que têm explorações de pedreiras e unidades de transformação e unidades de comércio dos mármores se queixam de uma crise”.

E essa crise é, na opinião do investigador, “permanente” e “está sempre à esquina porque desde o período romano, como já foi provado por os especialistas desse período sempre houve as crises associadas a este setor, tem muito a ver com a economia global com a escala da economia e com aquilo que é prioritário e em relação aos materiais também, é uma coisa muito evidente cada vez mais e ainda hoje  foi nos transmitido por um geólogo um especialista que estudou os mercados internacionais os nossos mármores até à meia dúzia de meses atrás eram considerados por alguns industriais como de pouco valor porque tinham porque tinham vergadas, porque tinham muitos materiais que não ficavam bem à matéria prima”.

Por “isso nada mais errado, porque os mercados que há alguns anos procuravam o branco puro isso não existe nem mesmo em Carrara, agora estão a converter-se a esta nova moda, isto é uma evolução de modas e o recurso tem a melhor montra e a indústria dos mármores em Portugal tema a maior montra para valorizar o seu produto natural em todo o mundo através da Deste conjunto de estudos até vindo exatamente a demonstrar a importância da nobreza e da qualidade dos marmanjos da nossa região”, explicou-nos

Revelou ainda que “é evidente que nós não podemos bloquear esta verdade, os nossos empresários não se interessam por esta temática ainda não perceberam a lógica que outros industriais noutras geografias do mundo estão a percorrer a juntar à sua indústria os seus recursos naturais valorizados a partir daquilo que é a história do transformar dos mármores ao longo de séculos e em períodos tão dispersos e tão de maneira técnica de transformar”.

E afirma que “enquanto não perceberem isto, provavelmente vão ter um desconhecimento e uma forma de pouco comunicar a importância do curso no tempo. E isto para mim é fundamental. Eu acho que a melhor porta para demonstrar que este tem uma aptidão tão longínqua e com grandes finalidades e grandes aptidões de utilização, eles estão errados e, portanto, eles têm de converter-se definitivamente no interesse cultural que os projetos mostram só”.

Carlos Filipe deu o exemplo da Bélgica, onde “há um interesse muito grande dos industriais das rochas ornamentais e sabermos que a Bélgica hoje não tem o recurso Petros que tinha no início do século 20 com os famosos mármores pretos e que eles hoje procuram valorizar os mármores a partir de outras escalas.”.

Para aceder a todo este estudo clique aqui

Ouça de seguida a entrevista na íntegra: