Quinta-feira, Dezembro 8, 2022
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Mármore alentejano entra no mundo dos artistas Daniel Dewar e Grégory Gicquel

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O mármore rosa português e a madeira de carvalho são os materiais de eleição da dupla de artistas Daniel Dewar e Grégory Gicquel, cujas esculturas revelam um mundo metamorfoseado, em exposição a partir de sábado, na Culturgest, em Lisboa

Com uma obra que se apresenta pela primeira vez em Portugal, a dupla de artistas selecionou para a exposição “O Nu e a madeira” dez esculturas e dois trabalhos em vídeo dispostos simetricamente nas salas expositivas, patentes até 22 de maio de 2022, com curadoria de Bruno Marchand, programador de artes visuais da Culturgest.

A presença em Lisboa, depois de uma passagem por vários espaços expositivos na Suíça, Alemanha e Áustria, “sedimenta a posição desta dupla no circuito de arte contemporânea internacional”, sublinhou o curador, em declarações aos jornalistas durante uma visita que contou com a presença de Grégory Gicquel.

O percurso abre com as esculturas em madeira de carvalho, criadas nos últimos dois anos, que associam formas naturais humanas, de animais e plantas a mobiliário utilitário de grande envergadura, resultado de um trabalho que, por opção, envolve as técnicas tradicionais da escultura.

As formas, de abóboras, cabaças, caracóis, pés humanos disformes com sete dedos, segmentos de corpos masculinos musculados, cabeças de porcos ou intestinos humanos, contrastam com a simplicidade da madeira e do utilitarismo dos móveis em madeira, da mesma forma que sanitas, lavatórios e búzios gigantes são como que “semi-desenterrados” de grandes blocos de mármore rosa.

“Nota-se, nestas peças, uma vontade de contaminar os valores atuais da arte contemporânea, ao mesmo tempo que os artistas fazem um jogo permanente com a disrupção do sistema capitalista”, apontou Bruno Marchand.

A descoberta do mármore rosa português foi feita pelos artistas há uns anos, quando realizaram um projeto nos Países Baixos, e tiveram de escolher este tipo de material para criar uma peça: “Este mármore é bastante suave de trabalhar e tem uma tonalidade que nos agradou por ser assemelhar à do corpo humano”, explicou Grégory Gicquel, nascido em Saint-Brieuc, em França, em 1975, sobre os blocos provenientes das pedreiras do Alentejo.

Gicquel conheceu Daniel Dewar, nascido em Forest of Dean, no Reino Unido, em 1976, quando eram estudantes universitários, e iniciaram a colaboração artística no final dos anos 1990, começando pela apresentação no espaço público, sem anúncio prévio, de performances de longa duração.

Durante oito horas – o habitual expediente de trabalho -, os artistas reproduziam, uma e outra vez, gestos ou ações aparentemente simples, como fazer ressaltar uma bola no chão ou comer um gelado, referiu o curador sobre o percurso dos artistas.

Nessa altura, “o que lhes interessava, não era produzir objetos nem angariar público, era comprometerem-se com uma atividade e aperfeiçoarem-na durante uma jornada, como se quisessem tornar-se especialistas em tarefas triviais”.

A performance continuou a marcar a criatividade desta dupla, em projetos originais, como a criação de uma agência de viagens com ofertas também triviais: passeios no parque, ou uma viagem de autocarro até à escola.

O objetivo era sublinhar a importância e o valor dos gestos e atividades repetitivas e simples da vida quotidiana.

Outra das marcas principais do trabalho de Gicquel e Dewar é a atividade totalmente manual, tendo desenvolvido “uma obsessão pela autonomia produtiva e pela independência de todo o tipo de serviços terceiros, circunstância que os lançou numa viagem épica pela recuperação de misteres tradicionais como o trabalho em terracota, metal, madeira, pedra ou têxtil”.

Os primeiros objetos que produziram a partir destas técnicas foram réplicas, feitas à mão, de peças como carretos de pesca, cremalheiras de bicicleta, pranchas de ´skate´, calças e ´t-shirts´, sapatilhas e outros elementos associados a atividades de lazer.

No seu conjunto, “esses objetos deixavam ainda mais claro o interesse dos artistas em colocar a performatividade e a proficiência ao serviço de atividades lúdicas, do desporto e, em última instância, do prazer”.

Por outro lado, permitiu-lhes “virar do avesso as tradições que o ´readymade´ e o ´objet trouvé´ firmaram no contexto artístico”, enquadrou Bruno Marchand.

Depois de Lisboa, a exposição deverá ser apresentada em São Paulo, no Brasil.

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