A organização conjunta entre Mértola e Serpa deve servir de base para fazer crescer a Feira Agropecuária Transfronteiriça de Vale do Poço e reforçar o seu papel na discussão dos principais desafios do território, defende o presidente da Câmara Municipal de Mértola, Mário Tomé.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, o autarca explicou que a maior articulação entre os dois municípios permite atingir uma escala diferente, mas afastou a intenção de transformar imediatamente o certame num evento de maior dimensão. “Não quisemos crescer de uma forma repentina sem estar sustentada”, afirmou, classificando esta edição como um primeiro momento de adaptação e avaliação do novo modelo de organização.
Para Mário Tomé, esta opção integra uma estratégia que ultrapassa a programação dos três dias da feira. O objetivo passa por perceber que temas podem contribuir para uma maior afirmação de Vale do Poço, mantendo a ligação ao mundo rural e à atividade agrícola. “Isto é uma estratégia por trás”, afirmou ao Jornal ODigital.pt, defendendo a necessidade de promover o debate em torno de matérias relevantes para o desenvolvimento do território.
Água entre os desafios que Mértola quer colocar em discussão
Entre esses temas está a disponibilidade de água para a atividade agrícola. Mário Tomé considera que a localização de Vale do Poço, a distância aos principais centros e as características da economia rural justificam que a feira seja também utilizada para levar estas matérias à discussão regional e nacional.
O presidente da Câmara de Mértola destacou o “défice de água” e a necessidade de analisar de que forma este recurso pode contribuir para potenciar a atividade agrícola e o território. Defendeu ainda que estes encontros podem aproximar de Vale do Poço responsáveis com capacidade de decisão sobre questões que afetam o setor.
“Os eventos nunca são só uma feira só por si”, afirmou Mário Tomé ao Jornal ODigital.pt, sustentando que estas iniciativas devem ser aproveitadas para promover os territórios e criar espaços de discussão sobre os problemas com que se confrontam.
Novo formato será avaliado antes das próximas edições
A XXII Feira Agropecuária Transfronteiriça apresenta este ano alterações na organização e disposição do recinto. Segundo o autarca, a opção foi testar uma solução diferente e avaliar posteriormente os seus resultados.
“Se não experimentarmos, fazemos sempre igual”, referiu Mário Tomé, acrescentando que o modelo poderá ser repetido e desenvolvido caso a avaliação seja positiva. Se forem identificados aspetos menos conseguidos, a organização admite reorganizar o recinto ou regressar a soluções anteriormente utilizadas.
A intenção, acrescentou, é aproveitar esta primeira experiência conjunta para construir uma base que permita projetar um evento de maior dimensão nos próximos anos, em articulação com as freguesias e restantes parceiros locais.
«O interior está bem vivo»
Nas declarações ao Jornal ODigital.pt, Mário Tomé associou também a realização da feira à afirmação da identidade rural do concelho e do interior.
“O interior está bem vivo”, afirmou, defendendo que os territórios de baixa densidade devem valorizar a sua identidade, as suas competências e as condições de vida que oferecem, sem deixar de reivindicar respostas para os problemas que permanecem por resolver.
O presidente da Câmara de Mértola deixou ainda o compromisso de, nas próximas edições, trazer a Vale do Poço temas que possam servir de base a experiências e soluções com impacto no desenvolvimento da região. A intenção, afirmou, é fazer da feira um espaço que contribua para “fazer crescer ainda mais o território e as pessoas”.
A XXII Feira Agropecuária Transfronteiriça decorre até domingo, 13 de setembro, em Vale do Poço, numa organização conjunta dos municípios de Mértola e Serpa.
















