A presidente da Associação Évora_27, Maria do Céu Ramos, afirmou este sábado, na Arena d’Évora, que o Vagar é o eixo central da visão cultural da Capital Europeia da Cultura 2027, assumindo-se como um contributo para a transformação artística, social e europeia do território, no momento em que se iniciou oficialmente a contagem decrescente para a abertura do evento.
Nas palavras proferidas, Maria do Céu Ramos sublinhou a importância do momento vivido em comunidade, classificando-o como «um dos momentos mais esperados do programa desenhado para hoje», que integrou atividades institucionais, culturais e de fruição no espaço público, culminando no seu «grande momento artístico».
O Vagar como forma de viver o tempo em comunidade
A presidente da Associação Évora_27 destacou que o dia marcou «a abertura de uma nova etapa no caminho de Évora 27», dando início à contagem decrescente de «52 semanas, 365 dias», até à cerimónia oficial de abertura, agendada para 6 de fevereiro de 2027. Nesse percurso, afirmou, o Vagar assume um papel central enquanto «forma única de viver o tempo» e de lhe dar «valor e sentido na nossa existência individual e coletiva».
Rejeitando a ideia de imobilismo, Maria do Céu Ramos defendeu que «o Vagar não é o vazio, nem a lentidão sem meta», mas antes «o compasso único com que o tempo se inscreve em cada um de nós», permitindo crescer, construir identidade e fazer escolhas conscientes. Para a responsável, trata-se do tempo necessário para articular pensamento, sentimento e ação.
Um conceito com dimensão humana, social e ambiental
Ao longo da intervenção, Maria do Céu Ramos reforçou a dimensão humana e relacional do Vagar, sublinhando que este «ensina o sentido da espera e o valor da deriva», convidando à escuta e à construção de relações autênticas entre pessoas diferentes e iguais na sua humanidade.
A presidente da Associação Évora_27 referiu ainda a ligação do Vagar aos ciclos da natureza, salientando que este permite compreender «como se move a natureza, da semente ao fruto», oferecendo uma leitura ecológica e sustentável do mundo, em linha com os desafios das sociedades contemporâneas.
O Vagar como contributo para os valores europeus
Maria do Céu Ramos enquadrou o Vagar numa escala europeia, defendendo que o conceito assume hoje uma relevância particular na preservação dos valores fundamentais da União Europeia. «O momento presente precisa, à escala global, de tudo quanto cabe no Vagar para preservar os princípios e valores da União Europeia», afirmou, referindo a paz, a liberdade, a democracia, os direitos humanos, o Estado de Direito e a sustentabilidade ecológica.
Segundo a presidente da associação, a Capital Europeia da Cultura em Évora constitui também «um contributo para a promoção da diversidade cultural» e para o entendimento entre pessoas, povos, tradições e criações artísticas.
Petição para instituir o Dia Nacional do Vagar
No mesmo contexto, Maria do Céu Ramos destacou o lançamento da petição pública para instituir o Dia Nacional do Vagar, a assinalar anualmente a 6 de fevereiro, convidando os cidadãos a subscreverem a iniciativa. Para a responsável, «promover e valorizar o Vagar é contribuir para vidas mais plenas e sociedades mais plurais e inclusivas».
Cultura como legado para o futuro
Na reta final da intervenção, a presidente da Associação Évora_27 afirmou que o Vagar «sobe ao palco» como força mobilizadora, ligando a planície alentejana à cidade e projetando-se como elemento transformador de Évora e de toda a Comunidade Intermunicipal. O objetivo, afirmou, é construir «um legado para o futuro do Alentejo, de Portugal e da Europa».
Maria do Céu Ramos deixou ainda palavras de agradecimento às entidades institucionais, parceiros, criadores e artistas envolvidos no projeto, bem como às cerca de 3.000 pessoas presentes na Arena d’Évora, concluindo que «hoje, aqui, em Évora Capital Europeia da Cultura 2027, o Vagar é a cena».


















