O Castelo de Vila Viçosa acolheu a apresentação do livro Uma Devoção de Grandes e Pequenos. Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa nos séculos XVII e XVIII, da autoria de Francisco Pardal, numa sessão que contou com a presença do presidente do Conselho de Administração da Fundação da Casa de Bragança, João Azevedo.
A obra, editada pela Fundação da Casa de Bragança e pelas Edições Húmus, resulta de uma investigação académica desenvolvida entre 2016 e 2018, no âmbito da dissertação de mestrado do autor, defendida em janeiro de 2019, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Francisco Pardal explicou que o tema foi escolhido por considerar existir «uma grande lacuna nos estudos ligados à Padroeira», sublinhando que a investigação procura contribuir para um maior conhecimento sobre a devoção a Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.
Livro Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa aborda devoção e identidade
Segundo o autor, a obra pode ser dividida em duas partes. A primeira centra-se na dimensão da legitimidade dinástica e na escolha de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Padroeira de Portugal por D. João IV, num contexto marcado pela Restauração da Independência e pela guerra contra Castela.
A segunda parte resulta da investigação realizada no arquivo do Santuário de Nossa Senhora da Conceição e no espólio documental das confrarias, permitindo reconstituir aspetos do culto entre 1715 e 1750.
Francisco Pardal destacou que o livro analisa a relação das confrarias com os confrades, a festa de 8 de dezembro, a dimensão assistencial e as ofertas feitas ao santuário. Essas ofertas provinham da família real, da nobreza e do alto clero, mas também das populações de Vila Viçosa e da região.
«Por isso mesmo, este livro intitula-se Uma Devoção de Grandes e Pequenos», afirmou o autor.
Fundação da Casa de Bragança destaca valor histórico da obra
João Azevedo enquadrou a publicação no trabalho de valorização da memória histórica associada à Casa de Bragança, a Vila Viçosa e à devoção a Nossa Senhora da Conceição.
O presidente do Conselho de Administração da Fundação da Casa de Bragança afirmou que obras como esta são «peças que vão construindo esta grande estrutura», com o objetivo de «dar a conhecer às pessoas aquilo que nós somos» e explicar «o porquê de muitas coisas», incluindo a devoção existente em Vila Viçosa e no país.
João Azevedo considerou ainda que Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa representa uma dimensão relevante da história nacional, defendendo que a Fundação continuará a apoiar iniciativas que contribuam para valorizar a memória histórica.
«A Fundação apoiará sempre, dentro das suas capacidades e dentro de um juízo de valor, todas as iniciativas que dignifiquem a Casa de Bragança, Vila Viçosa, o país e a nossa História», afirmou.
Investigação distingue fé e trabalho académico
Questionado sobre a relação entre a sua devoção pessoal e o trabalho de investigação, Francisco Pardal afirmou que procurou separar a dimensão da fé da análise histórica.
«Sou devoto, mas também sou historiador», disse, acrescentando que tentou «separar as águas» entre os sentimentos pessoais e a investigação académica.
O autor defendeu ainda que o conhecimento do passado é essencial para compreender o presente e projetar o futuro. Para Francisco Pardal, a devoção a Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa é também «uma questão de identidade», sobretudo num contexto de globalização em que, afirmou, não devem ser esquecidas «as especificidades de cada território».
João Azevedo valorizou igualmente o facto de a investigação ter sido desenvolvida por um jovem investigador, considerando que as novas gerações são «tão ou mais profícuas e tão ou mais capazes do que as antigas».
A apresentação do livro foi seguida de uma visita ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição, conduzida pela Régia Confraria de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.


















