A circulação do comboio na nova Linha Évora-Caia (Elvas) serviu para realizar ensaios dinâmicos da catenária, a diferentes patamares de velocidade. Segundo informação recolhida pelo jornal ODigital.pt junto da Infraestruturas de Portugal (IP), foram atingidos, nesta fase, os 200 km/h.
O principal objetivo é validar a geometria da catenária instalada ao longo do novo troço ferroviário e verificar o seu comportamento em condições reais de exploração.
Para recolher os dados necessários, está a ser utilizada uma composição formada por uma locomotiva da série 5600 e duas carruagens. A informação obtida será utilizada na avaliação do desempenho da catenária ao longo do percurso.
Uma catenária preparada para os 250 km/h
O novo troço da Linha de Évora incorpora soluções tecnológicas utilizadas pela primeira vez na Rede Ferroviária Nacional.
No subsistema de energia foi instalada uma catenária do tipo LP300, concebida para linhas de alta velocidade e dimensionada, neste caso, para velocidades de exploração até 250 km/h.
A catenária é o sistema responsável por fornecer energia elétrica aos comboios através do contacto com o pantógrafo. A validação da sua geometria e do comportamento dinâmico é necessária para garantir que esse contacto se mantém estável durante a circulação.
Aparelhos de mudança de via são também uma novidade
No subsistema de infraestrutura foram instalados os primeiros aparelhos de mudança de via com cruzamento de ponta móvel da Rede Ferroviária Nacional.
Esta tecnologia é utilizada em linhas de alta velocidade e permite melhorar as condições de desempenho, conforto e segurança. De acordo com a IP, possibilita também velocidades mais elevadas na circulação ferroviária.
A instalação destes equipamentos constitui uma das soluções técnicas diferenciadoras do novo troço entre Évora e Caia, integrado no Corredor Internacional Sul.
Ensaios da catenária vão prosseguir
Os ensaios agora realizados representam apenas uma das etapas de um programa mais abrangente de testes e certificações.
Estão previstas novas campanhas de ensaios da catenária, incluindo testes dinâmicos com pantógrafos interoperáveis, calibrados e instrumentados. Estas operações serão realizadas por entidades e laboratórios internacionais acreditados.
O objetivo será demonstrar a conformidade da infraestrutura com os requisitos da Especificação Técnica de Interoperabilidade do subsistema Energia, conhecida como ETI ENE.
As campanhas decorrerão a diferentes velocidades, permitindo validar progressivamente a infraestrutura até à velocidade máxima de exploração projetada, de 250 km/h.
Sinalização, ERTMS e telecomunicações também serão avaliados
Em paralelo, serão realizadas campanhas de ensaios, calibrações e certificações dos restantes subsistemas ferroviários.
O processo inclui os sistemas de sinalização, controlo-comando e proteção da circulação, incluindo os sistemas nacionais e os sistemas interoperáveis europeus associados ao Sistema Europeu de Gestão do Tráfego Ferroviário, conhecido pela sigla ERTMS.
Também serão avaliados os sistemas de telecomunicações ferroviárias de voz e dados GSM-R, utilizados para assegurar as comunicações entre os comboios e os centros de controlo.
Certificação independente antes da entrada em serviço
A fase final inclui a avaliação independente dos diferentes subsistemas por entidades especializadas, nacionais e internacionais.
Os Organismos Notificados, conhecidos como NoBo, serão responsáveis por verificar a conformidade com as Especificações Técnicas de Interoperabilidade. Já os Organismos Designados, ou DeBo, irão avaliar o cumprimento das regras nacionais aplicáveis.
O processo envolve ainda Organismos de Avaliação da Segurança, designados AsBo, que terão a responsabilidade de avaliar, de forma independente, os requisitos de segurança.
A conclusão dos ensaios, validações e certificações permitirá demonstrar que a infraestrutura e os seus subsistemas cumprem os requisitos técnicos, de interoperabilidade e de segurança previstos na regulamentação nacional e europeia.
Esta será uma etapa necessária antes da entrada em serviço do novo troço ferroviário entre Évora e Caia.















