A eventual ligação entre as bacias hidrográficas do Tejo e do Guadiana não é apontada, para já, como “a primeira prioridade” pela ministra do Ambiente e Energia. Maria da Graça Carvalho defende que as transferências de água entre bacias devem constituir uma solução de último recurso, depois de avaliadas outras alternativas.
“Para já, diria que é a prioridade”, afirmou a governante em declarações ao jornal ODigital.pt, quando questionada sobre a possibilidade de transferir água do Tejo para o Guadiana, acrescentando que o Alentejo não enfrenta atualmente problemas de disponibilidade deste recurso.
“Neste momento, temos as reservas a 80%. É a média de todo o país e não temos problemas no Alentejo”, declarou.
Transferência entre bacias deve ser “a última solução”
Maria da Graça Carvalho defendeu que uma ligação entre o Tejo e o Guadiana apenas deverá ser equacionada depois de esgotadas outras respostas para garantir a disponibilidade de água.
“Este tipo de ligação entre bacias deve ser sempre a última solução, depois de se terem tentado todas as outras soluções”, sustentou a ministra.
A governante apontou Alqueva, as barragens existentes no Alentejo e a dessalinizadora prevista para Sines como parte das respostas destinadas a assegurar o abastecimento de água na região.
“Aqui no Alentejo, estamos a construir uma dessalinizadora em Sines. Já lançámos o concurso”, adiantou, defendendo que estas soluções permitem responder às necessidades dentro de cada território e evitar eventuais conflitos entre regiões.
“Vamos tentar que cada uma das regiões resolva os seus problemas. O Alentejo, com o Alqueva, com a dessalinizadora e com as várias barragens que tem, não tem problemas para já”, acrescentou.
Tejo abastece mais de um milhão de pessoas na margem sul
A ministra do Ambiente lembrou também que a água do Tejo é utilizada por diferentes setores e territórios, existindo necessidades de abastecimento na própria bacia hidrográfica.
“A zona do Tejo tem muita necessidade de água, porque tem uma grande população”, afirmou Maria da Graça Carvalho, anunciando que será estudada uma ligação entre a parte norte e a margem esquerda do rio.
Segundo explicou, esta infraestrutura permitiria criar uma segunda fonte de abastecimento para os concelhos de Almada, Seixal, Moita, Montijo, Alcochete e Setúbal.
“É mais de um milhão de pessoas e onde vai haver um aeroporto que ainda vai atrair mais pessoas. Precisamos dessa ligação”, referiu, concluindo que “a água do Tejo tem muitos utilizadores”.
Este estudo destina-se ao reforço do abastecimento da margem sul do Tejo e não corresponde à ligação entre as bacias do Tejo e do Guadiana.
Projeto teria de ser articulado com Espanha
Maria da Graça Carvalho salientou ainda que o Tejo e o Guadiana são rios internacionais, pelo que qualquer intervenção teria de envolver Portugal e Espanha.
“O Tejo e o Guadiana são dois rios internacionais, por isso qualquer intervenção no Tejo e no Guadiana tem de ser combinada com o Governo espanhol”, afirmou.
A ministra admitiu que seria “difícil” obter autorização de Espanha para uma transferência de água entre as duas bacias e indicou que um projeto desta natureza teria de ser tratado entre os governos dos dois países.
“Qualquer projeto num rio comum teria de ser bem negociado entre os dois países. Teria de ser logo informado ao nível dos dois governos centrais”, explicou.
CCDR Alentejo quer estudar impactos da ligação
A posição da ministra surge depois de o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, Ricardo Pinheiro, ter anunciado a intenção de estudar uma possível ligação entre o Tejo e o Guadiana, no âmbito da estratégia nacional “Água que Une”.
Ricardo Pinheiro revelou ao ODigital.pt que a CCDR Alentejo pretende preparar, em conjunto com a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), uma candidatura ao Programa Regional para financiar o estudo.
O trabalho deverá analisar a viabilidade técnica da transferência de água e os impactos económicos que a infraestrutura poderia produzir em diferentes zonas do Alentejo. Entre as matérias a avaliar encontram-se a criação ou expansão de perímetros de rega e as culturas que poderiam ser desenvolvidas nas áreas abrangidas.
Segundo o presidente da CCDR Alentejo, a solução em estudo poderá permitir transferir cerca de 150 hectómetros cúbicos de água e aumentar em mais de 50 mil hectares a área de regadio apoiada por Alqueva. A ligação permanece, contudo, numa fase de estudo, sem uma decisão sobre a execução da infraestrutura.
















