Legislativas 2024: Metade dos cabeças de lista das 14 forças candidatas vem de fora do distrito de Évora

Metade dos cabeças de lista que concorrem por Évora nas eleições legislativas de 10 de março são candidatos “paraquedistas”, num círculo em que o PS aposta na renovação e a AD mantém a candidata do PSD.

Catorze partidos e coligações apresentaram candidaturas neste círculo alentejano, em que são eleitos três deputados à Assembleia da República, segundo as listas afixadas pelo Tribunal de Évora e consultadas hoje pela agência Lusa.

Dos 14 cabeças de lista, sete são “paraquedistas”, ou seja, não são naturais nem residem no distrito de Évora.

São os casos de Alma Rivera (CDU), Viviana Moita (Iniciativa Liberal), Carla Ribeiro (Ergue-te), Sérgio Neves (PAN), Vítor Grade (Nova Direita), Rui Cristina (Chega) e Hugo Duarte (Alternativa 21), enquanto os restantes residem no distrito.

O PS, que nas legislativas de 2019 e de 2022 conseguiu eleger dois dos três deputados deste círculo, promoveu uma renovação da lista em relação a essas eleições, quando, em ambas, Capoulas Santos e Norberto Patinho foram eleitos para o parlamento.

Desta vez, os socialistas apostam no cabeça de lista Luís Dias, que suspendeu o seu mandato como presidente da Câmara de Vendas Novas, e como número dois na professora universitária Cláudia Sousa Pereira.

Luís Dias, que é gestor de informação, é também presidente da federação distrital de Évora do partido. Natural de Lavre, no concelho de Montemor-o-Novo, mora em Vendas Novas.

A Aliança Democrática (AD), que junta PPD/PSD, CDS-PP e PPM, escolheu para liderar a lista Sónia Ramos, que tinha encabeçado a candidatura do PSD por este círculo em 2022, conseguindo então reconquistar o mandato de deputado perdido nas legislativas de 2019.

Natural da Cova da Piedade, em Almada, e residente há várias décadas em Montemor-o-Novo, Sónia Ramos, deputada do PSD na legislatura que agora findou, tem 50 anos e é jurista.

Um dos sete ‘candidatos paraquedistas’ é Alma Rivera, a cabeça de lista da CDU, coligação liderada pelos comunistas que, nas últimas legislativas e pela primeira vez desde 1976, não conseguiu eleger qualquer representante no círculo eleitoral de Évora.

Com o objetivo de recuperar o deputado comunista por Évora, a jurista Alma Rivera, de 32 anos, também parlamentar na legislatura que agora termina (pelo círculo de Lisboa), é natural e tem morada oficial em Ponta Delgada, nos Açores.

Também o partido Chega, quarta força política neste círculo em 2022, aposta num ‘paraquedista’. Rui Cristina, engenheiro civil, de 44 anos, ‘aterra’ em Évora vindo do concelho de Loulé (Faro), de onde é natural, residente e vereador da oposição na câmara.

Eleito deputado do PSD por Faro em 2019 e, depois, novamente, em 2022, Rui Cristina desfiliou-se, há quase duas semanas, do partido onde militou mais de 20 anos e passou a deputado não inscrito, antes de ser escolhido para cabeça de lista do Chega em Évora.

Já a lista do Bloco de Esquerda por Évora é liderada por Manuel Canudo, de 23 anos, professor, natural e residente no concelho de Évora.

A Iniciativa Liberal tem como um da lista Viviana Moita, de 39 anos, professora, natural da Amadora e residente no Barreiro, o Livre escolheu para cabeça de lista Glória Franco, de 54 anos, educadora de infância, natural e residente em Montemor-o-Novo e o PAN aposta no analista de dados Sérgio Neves, de 44 anos, natural e residente em Lisboa.

Carla Ribeiro (Ergue-te), Carlos Pinheiro Dias (Rir–Incluir-Reciclar), Hélder Tomaz Machado (Volt Portugal), Humberto Baião (Alternativa Democrática Nacional), Vítor Grade (Nova Direita) e Hugo Duarte (Alternativa 21) são os restantes candidatos ao círculo de Évora.

Com 133.414 eleitores inscritos para as eleições legislativas de 10 de março, Évora é o segundo distrito mais extenso do país (atrás do de Beja) e não foge à tendência de despovoamento do Alentejo.

De acordo com os resultados dos Censos 2021, o distrito de Évora perdeu 14.282 pessoas nos últimos 10 anos, com todos os concelhos a registarem diminuição de habitantes.

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