O Laboratório da Água da Universidade de Évora (LAUE) viu renovada e alargada a sua acreditação, passando a integrar novos ensaios no âmbito da qualidade da água destinada ao consumo humano e da prevenção da Doença dos Legionários. A decisão reforça a capacidade técnica da unidade e permite ampliar a resposta às exigências legais em vigor.
De acordo com o comunicado enviado à redação, a renovação anual da acreditação foi acompanhada da extensão do seu âmbito, consolidando o sistema de gestão da qualidade e reforçando o reconhecimento técnico da unidade.
Novos ensaios abrangem consumo humano e Legionella
Entre os novos ensaios acreditados encontram-se parâmetros previstos no Decreto-Lei n.º 69/2023, que estabelece o regime jurídico da qualidade da água destinada ao consumo humano, e na Lei n.º 52/2018, relativa à prevenção e controlo da Doença dos Legionários.
Passam a integrar o conjunto de análises acreditadas parâmetros organoléticos, como cheiro e sabor, e parâmetros físico-químicos, como turvação e amónio. O laboratório passa ainda a realizar, com acreditação, a colheita e análise de amostras para deteção de Legionella.
Segundo Ana Saúde, responsável da Qualidade do LAUE, «todos os ensaios agora acreditados são relevantes na proteção da saúde pública, uma vez que estão contemplados na legislação em vigor». A responsável sublinha que a acreditação constitui «reconhecimento internacional de exigência e rigor técnico», garantindo confiança nos resultados produzidos.
Reconhecimento pelas autoridades competentes
Com esta acreditação, os resultados emitidos pelo LAUE passam a ser reconhecidos pelas entidades competentes, nomeadamente pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) e pela Direção-Geral da Saúde.
O laboratório integra ainda a lista de entidades aptas divulgada pela ERSAR, ao abrigo do artigo 36.º do Decreto-Lei n.º 69/2023, podendo executar ensaios previstos no Programa de Controlo da Qualidade da Água (PCQA) das entidades gestoras.
Ana Saúde refere que a extensão do âmbito «reforça a credibilidade e a confiança» e permite ampliar a autonomia técnica do laboratório, reduzindo a necessidade de contratação externa por parte das entidades.
Apoio à investigação e à região
Vocacionado para colheitas e ensaios físico-químicos, microbiológicos, biológicos e hidromorfológicos, o LAUE desenvolve também estudos e pareceres na área ambiental, integrados na investigação científica da Universidade de Évora.
Manuela Morais, responsável do laboratório, destaca o contributo da unidade «na investigação e desenvolvimento de novas metodologias de análise de parâmetros físico-químicos e biológicos da água e dos ecossistemas associados», bem como na permuta de conhecimento com empresas e instituições nacionais e internacionais.
A responsável acrescenta que o laboratório tem apoiado a população regional na avaliação da qualidade da água para diferentes usos.
A Doença dos Legionários integra, em Portugal, a lista de Doenças de Declaração Obrigatória desde 1999, sendo obrigatória a realização de planos de prevenção e controlo baseados em análise de risco e monitorização regular da água em edifícios e estabelecimentos de acesso ao público.

